
O Brasil vive um momento decisivo para sua inserção na economia digital global. Mais do que acompanhar tendências tecnológicas, o país precisa decidir qual papel deseja ocupar em um mundo cada vez mais orientado por dados, infraestrutura digital e inovação. Ou assumimos o protagonismo dessa transformação, ou permaneceremos dependentes de tecnologias produzidas fora do país.
A economia digital deixou de ser um tema setorial para se tornar uma questão estratégica de desenvolvimento nacional. Computação em nuvem, inteligência artificial, data centers e redes de alta capacidade são hoje ativos essenciais para a competitividade econômica, a geração de empregos qualificados e a soberania tecnológica. Nesse cenário, decisões públicas fragmentadas ou contraditórias produzem efeitos diretos sobre o futuro do país.
O principal desafio que enfrentamos não é tecnológico, mas político e institucional. Falta coordenação entre decisões tarifárias, regulatórias e de política industrial. Quando essas agendas caminham de forma desarticulada, o resultado é o aumento do custo de investir, insegurança jurídica e perda de atratividade para projetos estratégicos. O Brasil não pode se dar ao luxo de criar barreiras internas justamente no momento em que o mundo acelera a transformação digital.
Vivemos uma corrida global por investimentos em infraestrutura digital. Países que compreenderam essa dinâmica estão adotando políticas claras, previsíveis e alinhadas, criando ambientes favoráveis à instalação de centros de processamento de dados, ao desenvolvimento de soluções tecnológicas e à atração de capital produtivo. A consequência é simples: quem se organiza, cresce; quem hesita, fica para trás.
É preciso afirmar com clareza que fortalecer a indústria nacional e expandir a infraestrutura digital não são objetivos opostos. Ao contrário, são complementares. Um ambiente digital competitivo estimula a demanda por equipamentos, serviços, energia, telecomunicações e inovação local. Quando o país cria condições para investimentos de alta complexidade tecnológica, toda a cadeia produtiva se beneficia.
O debate público, no entanto, ainda insiste em falsos dilemas. Não se trata de escolher entre proteção ou abertura, mas de construir uma política de Estado baseada em coerência, previsibilidade e visão de longo prazo. Instrumentos da era analógica não respondem aos desafios da economia digital.
Persistir nesse caminho significa exportar processamento, importar tecnologia e aprofundar a dependência externa.
A economia de dados será o principal motor de crescimento nas próximas décadas. Ela atravessa todos os setores — da indústria ao agronegócio, dos serviços à educação, da saúde à segurança pública. Países que estruturarem ambientes favoráveis à inovação digital terão vantagens competitivas duradouras. Aqueles que não o fizerem pagarão o preço da estagnação.
O Brasil tem mercado, escala e capital humano para liderar essa agenda na América Latina. O que falta é alinhar as políticas públicas a uma estratégia clara de desenvolvimento digital.
Precisamos reduzir o custo de investir, acelerar a modernização da infraestrutura, incentivar pesquisa, desenvolvimento e inovação e garantir previsibilidade regulatória.
O momento exige responsabilidade e coordenação institucional. Tarifas, regulação e política industrial devem atuar de forma integrada, orientadas por um projeto nacional de longo prazo. Quando o Estado envia sinais contraditórios, quem perde é o país.
Transformar o Brasil em protagonista da economia digital não é uma escolha ideológica, mas uma decisão estratégica. O século 21 não espera. Cabe a nós garantir que o Brasil esteja preparado para liderar essa transformação — e não apenas reagir a ela.
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