
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) não garante que seguirá reduzindo a taxa básica de juros (Selic), após o corte de 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano, decidida na última quarta-feira (18/3), após a segunda reunião do ano. A sinalização, justificada pela guerra no Oriente Médio e os “sinais mistos” sobre a atividade da economia brasileira, consta na ata dessa última reunião, divulgada nesta terça-feira (24/3).
Já esperada pelo mercado financeiro, a queda da Selic na semana passada foi “compatível com a estratégia de convergência da inflação”, segundo o Copom. A ata reforça a “serenidade e cautela na condução da política monetária”, enfatizando que “os eventos recentes”, relacionados aos conflitos geopolíticos, “não impediram a materialização” da queda da taxa Selic.
Apesar disso, o comitê avaliou que “os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio”. Assim, mesmo com a sinalização do início de ciclo de cortes na primeira reunião do ano, em janeiro, o comitê entendeu que “a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises”, uma vez que “a duração e extensão dos conflitos geopolíticos, assim como sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços, dificultam a identificação de tendências claras”.
Além do ambiente externo, o comitê também citou como riscos de alta para inflação: o aumento das expectativas de inflação por período mais prolongado, maior resiliência na inflação de serviços e uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado. Entre os riscos de baixa, foram ressaltados a desaceleração da atividade econômica maior que a projetada, a desaceleração global decorrente do choque de comércio e do cenário de incertezas e a redução nos preços das commodities.
No cenário doméstico, o comitê destaca a atividade econômica em ritmo de desaceleração, mais perceptível no final de 2025, sobretudo em segmentos com maior dependência das condições de crédito. De acordo com o Banco Central, esse comportamento decorre dos efeitos defasados da política monetária mais restritiva e integra o processo necessário para o controle da inflação.
Apesar disso, o mercado de trabalho continua resiliente, com “a taxa de desemprego tendo se mantido em patamares historicamente baixos enquanto os rendimentos reais médios têm mantido a tendência de elevação acima do crescimento da produtividade do trabalho”.
Na ata, o Copom afirmou ainda que “a principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”.
De acordo com o documento, “as expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes, que seguiam em trajetória de declínio, subiram após o início dos conflitos no Oriente Médio, permanecendo acima da meta de inflação em todos os horizontes”.
O comitê ainda acrescentou que “mantém-se, de um lado, a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda e que requer uma política monetária contracionista e, de outro, a interpretação de que a política monetária tem contribuído de forma determinante para a desinflação observada”.
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