O ex-presidente Jair Bolsonaro reagiu à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que o tornou réu por tentativa de golpe de Estado. Em um pronunciamento nesta quarta-feira, 26, ele negou qualquer articulação para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva e criticou duramente o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.
CRÍTICAS AO STF E ALEGAÇÃO DE PERSEGUIÇÃO POLÍTICA
A fala de Bolsonaro ocorreu em frente ao Senado, ao lado de aliados, e durou cerca de 50 minutos. Ele contestou a legitimidade da denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e acusou Moraes de conduzir investigações com falta de transparência. “Ele bota o que ele quer lá, por isso que os inquéritos dele são secretos”, afirmou.
O ex-presidente também voltou a se declarar vítima de perseguição política e comparou sua situação à de líderes opositores em países como Nicarágua e Venezuela. “Querem me julgar rapidamente para evitar que eu chegue livre às eleições de 2026”, disse, mesmo estando inelegível até 2031.
DEFESA DE ANISTIA PARA PACIFICAÇÃO
Durante o pronunciamento, Bolsonaro defendeu a aprovação de uma anistia política como forma de “pacificar o país” e “passar uma borracha” nos atos investigados. A declaração foi dada no gabinete de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, onde acompanhou o julgamento do STF.
Na véspera, ele esteve presente na sessão da 1ª turma da Corte, ao lado dos advogados dos demais acusados. “Ontem fui ao Supremo, foi uma decisão de última hora. Hoje resolvi não ir, motivo: obviamente sabia o que ia acontecer”, justificou.
REJEIÇÃO À ACUSAÇÃO DE TENTATIVA DE GOLPE
A PGR sustenta que Bolsonaro teria discutido, em 7 de dezembro de 2022, um plano para impedir a posse de Lula, envolvendo os comandantes das Forças Armadas e uma minuta de decreto de Estado de Defesa. A denúncia aponta que o então comandante da Marinha, Almir Garnier, teria aceitado a proposta, enquanto os demais rejeitaram.
Bolsonaro negou ter apresentado ou discutido a minuta e argumentou que qualquer ação nesse sentido exigiria a convocação dos Conselhos da República e da Defesa, o que nunca ocorreu. “Não convoquei os conselhos, nem atos preparatórios houve para isso”, alegou.
Ao ser questionado por um jornalista sobre sua participação em conversas sobre um decreto de Estado de Defesa, Bolsonaro hesitou e reagiu de forma ríspida: “Acho que a maioria já aprendeu aqui como é que eu ajo. Se quiser tumultuar, vamos embora”.
NOVOS ATAQUES AO SISTEMA ALEITORAL
O ex-presidente também voltou a questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas, sem apresentar provas, e insinuou que há uma perseguição política contra ele. “Parece que eles têm algo pessoal contra mim”, afirmou.
A decisão do STF representa mais um capítulo da série de investigações contra Bolsonaro, que segue tentando mobilizar sua base política diante das acusações.
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