Desistência de Ratinho Jr. é revés para Kassab e pode afetar Lula

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A desistência do governador do Paraná, Ratinho Jr., de concorrer ao Palácio do Planalto nas eleições deste ano foi um revés para o projeto nacional de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, e também para a campanha à reeleição do presidente Lula (PT).

Com Ratinho Jr. fora da disputa, o favoritismo entre os presidenciáveis do PSD agora passa a ser de Ronaldo Caiado, governador de Goiás e adversário ferrenho de Lula desde as eleições de 1989, a primeira que o petista disputou e perdeu.

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Se Caiado for mesmo confirmado como pré-candidato ao Planalto, petistas avaliam que ele pode se transformar em uma espécie de “linha auxiliar” informal de Flávio Bolsonaro (PL), segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto e, por ora, principal adversário de Lula. Não por outro motivo, há dentro do PT dirigentes atuando para convencer Kassab a escolher o governador Eduardo Leite (RS) para a missão.

O governador do Rio Grande do Sul também é um crítico do presidente e do PT, mas já anunciou a disposição de, se for o escolhido, fazer uma campanha em busca do chamado “voto independente”, ou seja, do eleitor que não quer Lula nem Flávio Bolsonaro, linha que Caiado, ao menos por ora, rejeita, preferindo mirar no petista.

Logo após o anúncio da desistência de Ratinho Jr., Eduardo Leite afirmou em uma rede social: “De minha parte, reafirmo aqui minha disposição de liderar este projeto de um centro democrático que ofereça aos brasileiros um novo caminho de união, esperança e futuro. O PSD pode ganhar estas eleições, e estou pronto e com muito energia para estar à frente desta alternativa diferente e fora da polarização. Tenho certeza que seremos muito ajudados nessa missão pelo governador Ratinho Jr”.

Ratinho Jr. era o presidenciável do PSD que melhor pontuava nas pesquisas de intenção de voto (7% na mais recente rodada do Datafolha). Ele é considerado uma espécie de “terceira via dentro da terceira via”. Ou seja, a título de ilustração, se traçada um linha de espectro ideológico dentro partido de Kassab, Caiado está à direita do colega do Paraná, enquanto Leite, à esquerda.

Esse posicionamento era um dos fatores que fizeram Kassab escolher Ratinho Jr. para encarnar a primeira candidatura a presidente da história do PSD. O anúncio oficial estava programado para ocorrer ainda este mês, faltando apenas uma palavra final do governador, que acabou desistindo no projeto nesta segunda-feira (22/3).

Em nota, Ratinho Jr. afirmou que permanecerá no cargo até o final do mandato e que a decisão foi tomada em conjunto com seus familiares. O governador é filho do apresentador de TV Carlos Massa, o Ratinho.

Cenário regional

No entanto, a conjuntura eleitoral no Paraná também pesou na decisão. A menos de duas semanas para o fim do prazo de desincompatibilização, Ratinho ainda não definiu quem apoiará para sua sucessão e os nomes testados até agora nas pesquisas patinam atrás do senador Sergio Moro (PL), bancado por Flávio, e do deputado estadual Requião Filho (PDT), bancado por Lula.

Na semana passada, o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, que era um dos nomes avaliados por Ratinho Jr. para disputar o governo, deixou o PSD e foi para o MDB. Com isso, as opções do governador se reduziram a Guto Silva e Alexandre Curi, ambos do PSD. 

O grupo de Ratinho Jr. avaliou, então, que, no cargo, ele terá mais condições de trabalhar para eleger seu sucessor. Em conversas recentes, o governador foi alertado de que, se perdesse a eleição presidencial e seu candidato fosse derrotado no Paraná, seu futuro político estaria comprometido por, pelo menos, quatro anos.

Para permanecerem como opções para o projeto presidencial de Kassab, Leite e Caiado precisam deixar os cargos até o próximo dia 4 de abril.        

Fonte

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