Infraestrutura pública digital: o novo pilar do desenvolvimento nacional

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Você já ouviu falar de Infraestrutura Pública Digital (IPD) ou, em inglês, Digital Public Infrastructure (DPI)

Pois a IPD vem ganhando centralidade no debate sobre desenvolvimento econômico e social no Brasil e no mundo. Assim como rodovias, energia elétrica e saneamento foram decisivos para a integração territorial e o crescimento do país no século 20, hoje são as infraestruturas públicas digitais que sustentam a capacidade do Estado brasileiro de oferecer serviços em larga escala, com eficiência, transparência e inclusão social. E o Brasil vem se destacando internacionalmente como uma liderança em IPD.

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IPD e o papel estratégico do Estado brasileiro

Infraestruturas públicas digitais são sistemas digitais compartilhados, seguros e interoperáveis, desenvolvidos sob governança pública e voltados ao interesse coletivo. No caso brasileiro, elas incluem plataformas como Gov.BR, para autenticação; Pix, para transferências bancárias; Cadastro Único (CadÚnico), para acesso à benefícios sociais; a Carteira de Identidade Nacional (CIN), para identificação; Conecta gov.br, para integração entre sistemas; e a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), para compartilhamento seguro de dados de saúde.

Esses sistemas funcionam como “camadas básicas” sobre as quais serviços públicos e privados podem ser construídos, reduzindo custos, evitando redundâncias e ampliando o alcance das políticas públicas.

A adesão do Brasil à iniciativa da ONU “50 in 5: DPI for People and Planet” reforça essa visão estratégica e estabelece o compromisso do governo brasileiro, que reconhece formalmente as IPDs como instrumentos centrais para promover desenvolvimento sustentável, inclusão social e transformação digital, sem deixar ninguém para trás.

Impactos diretos para a população em geral

Para a população brasileira como um todo, as infraestruturas públicas digitais trazem ganhos concretos no dia a dia. O acesso a serviços públicos digitais reduz deslocamentos, filas e custos indiretos, especialmente para quem vive longe dos grandes centros urbanos. Sistemas interoperáveis também aumentam a segurança das informações e a confiabilidade das transações entre cidadãos, empresas e governo.

Além disso, a DPI cria um ambiente mais favorável à inovação e ao empreendedorismo. Pequenas empresas e startups podem desenvolver soluções conectadas a essas infraestruturas — como meios de pagamento, autenticação e validação de dados — sem precisar investir em sistemas proprietários caros, o que estimula a competição e a geração de empregos.

IPD e a redução das desigualdades sociais

O maior potencial transformador da IPD no Brasil está no seu impacto sobre a população mais vulnerável. O CadÚnico é um exemplo claro de infraestrutura pública digital voltada à inclusão social. Ele serve de base para a gestão de dezenas de políticas sociais, permitindo identificar famílias de baixa renda e direcionar benefícios de forma mais precisa e transparente.

Quando integrado a sistemas de pagamento digitais, como o Pix, o CadÚnico possibilita transferências de renda mais rápidas e com menor custo operacional, reduzindo intermediários e o risco de exclusão. Isso é particularmente relevante para populações historicamente marginalizadas, como trabalhadores informais, mulheres chefes de família e moradores de áreas rurais ou periferias urbanas.

Na área da saúde, a Rede Nacional de Dados em Saúde e iniciativas como o Meu SUS Digital permitem maior continuidade do cuidado, melhor uso de informações clínicas e maior eficiência no atendimento, beneficiando especialmente quem depende exclusivamente do sistema público de saúde.

Desafios e caminhos futuros

O governo brasileiro, principalmente sob a liderança do MGI, MCTI e MRE, tem multiplicado as iniciativas no campo digital, como a Estratégia Nacional de Governo Digital (ENGD), Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI), Infraestrutura Nacional de Dados (IND), Infraestrutura Pública Digital (IPD) e Diplomacia da Inovação (ou Tech Diplomacy); que deixam claro o papel estratégico da tecnologia no desenvolvimento do país.

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Apesar dos avanços, o fortalecimento das políticas públicas digitais no Brasil exige atenção contínua a desafios como inclusão digital, proteção de dados pessoais, segurança cibernética e governança democrática. Instituições da sociedade civil destacam a importância de desenvolver essas infraestruturas com foco em soberania digital, transparência e respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Ainda assim, a experiência brasileira demonstra que a IPD pode ser uma poderosa alavanca de desenvolvimento. Ao combinar escala, interesse público e inovação, o Brasil mostra que a infraestrutura pública digital não é apenas um instrumento tecnológico, mas uma política de Estado capaz de reduzir desigualdades, fortalecer a cidadania e preparar o país para os desafios do século 21.

Fonte

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