Com as instituições de volta à ativa após o Carnaval — e os políticos de volta a Brasília —, as articulações de Lula, Flávio Bolsonaro e aliados de ambos para atrair partidos de centro chega em um momento decisivo.
Dispondo de menos instrumentos que o governo, o senador segue estratégia alinhada ao pai, busca estruturar sua campanha e acena com nomes para a economia, conforme Marianna Holanda e Beto Bombig escrevem na nota de abertura.
Enquanto isso, a Câmara aprovou o PL Antifacção e destravou a pauta, o que abre caminho para propostas que podem andar antes das eleições, como o fim da jornada 6×1 (nota 2).
E, no Supremo Tribunal Federal, o ministro Edson Fachin anunciou um plano para acabar com penduricalhos após reunião com Hugo Motta e Davi Alcolumbre (nota 3).
Letícia Mori colaborou nesta edição.
Boa leitura.
1. O ponto central: Rumo ao centro
Enquanto Lula busca se aproximar dos partidos de centro — admitindo até renegociar a vaga de vice —, Flávio Bolsonaro se movimenta com menos instrumentos para atrair aliados do centrão e evitar um racha em sua já fragmentada base.
Por que importa: Alinhado ao pai, Flávio quer acelerar as alianças nos estados com partidos de centro, Marianna Holanda e Beto Bombig escrevem no JOTA PRO Poder.
- A aposta é que esses grupos acabem gravitacionando em torno de uma candidatura de direita menos radical do que a de Jair Bolsonaro.
- O próprio ex-presidente, preso na Papudinha, já recebeu aliados para tratar do tema.
- Um dos que ouviu resposta negativa foi Wilder Morais (PL), que quer contrariar o acordo firmado pelo partido em Goiás e disputar o governo.
- O PL integra uma coligação ao Senado e apoia a candidatura do emedebista Daniel Vilela na sucessão de Ronaldo Caiado.
- Em Minas Gerais, interlocutores de Flávio articulam apoio ao nome de Matheus Simões (PSD), atual vice-governador, na sucessão de Romeu Zema (Novo).
Para a vaga de vice-presidente, o entorno do senador busca um nome de centro.
- A entrevista da senadora Tereza Cristina ao Valor (com paywall) foi vista como sinalização de que ela poderia aceitar a empreitada.
- Hoje, é considerada uma das opções mais viáveis.
Na economia, o senador pretende adotar agenda liberal, aproximando-se do mercado financeiro.
- Em São Paulo, ainda há desconfianças sobre sua capacidade nessa área, mas resistências começam a ceder.
- Em gesto ao mercado, Flávio já sinalizou que pretende anunciar um eventual nome para a Fazenda ainda durante a campanha, a exemplo do que fez Bolsonaro em 2018.
- O preferido é Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, hipótese tida como improvável.
- Ganha força nos bastidores Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro e atual economista-chefe do BTG Pactual, que tem facilitado a aproximação de Flávio com André Esteves.
♟️ A estratégia é demonstrar capacidade de articulação e afastar a imagem de sectarismo associada ao bolsonarismo mais radical.
Sim, mas… O esforço começa dentro de casa.
- Nos últimos dias, houve trocas de farpas envolvendo Nikolas Ferreira, Michelle e aliados de Eduardo.
- Em público, Flávio tem defendido a pacificação e, ontem (24), publicou mensagem nesse tom ao lado do pai.
⏩ Pela frente: As conversas seguirão conduzidas por Flávio e pelo coordenador de campanha, Rogério Marinho, e o foco é garantir uma estrutura profissional.
- Flávio conversa ainda com escritórios de advocacia para definir um advogado eleitoral e também busca marqueteiros.
- Ex-ministros do governo Bolsonaro colaboram na formulação do programa, cujas diretrizes devem ser apresentadas em março.
UMA MENSAGEM DO MATTOS FILHO
M&A de startups ganha força com retração do venture capital

Apesar do notável desenvolvimento do ecossistema de inovação brasileiro nos últimos anos, os investimentos de venture capital vêm desacelerando. Com menos rodadas disponíveis e critérios mais rigorosos, captar recursos se tornou mais árduo para as startups.
Nesse cenário, transações de fusão e aquisição (M&A) envolvendo startups ganham protagonismo. Com a retração do capital, a consolidação entre empresas surge, muitas vezes, como a única forma de preservar valor e garantir continuidade operacional.
Segundo Camilla Martes, sócia das práticas de M&A e Venture Capital do Mattos Filho, “se os early exits antes eram vistos com desconfiança, agora podem ser a única saída viável para startups com bons fundamentos, mas caixa curto”.
Na ponta compradora, investidores e corporações enxergam o M&A como uma oportunidade de atrair talentos e adquirir novas tecnologias, com valuations mais realistas. Assim, o M&A deixa de ser apenas uma estratégia de saída e se consolida como ferramenta central na reorganização do ecossistema.
2. Pauta destravada

A Câmara aprovou o PL Antifacção, que endurece o combate a organizações criminosas, Mariah Aquino registra no JOTA PRO Poder.
Por que importa: A proposta amplia penas, restringe benefícios e também amplia o bloqueio e o perdimento de bens e inclui regras para reforçar o asfixiamento financeiro dessas organizações.
- O relator, Guilherme Derrite (foto), rejeitou o substitutivo do Senado e preservou pontos de consenso com o governo após diálogo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
- Fonte de disputas entre oposição e governo no ano passado, o projeto trancou a pauta da Câmara devido à tramitação em regime de urgência — e havia interesse em votá-lo, já que o próprio governo sinalizou que não retiraria a urgência.
⏩ Pela frente: O texto segue para sanção presidencial para entrar em vigor.
3. Esforço coletivo

O Supremo Tribunal Federal anunciou que apresentará nos próximos dias uma proposta de regra de transição sobre penduricalhos nos salários de servidores públicos, Lucas Mendes e Flávia Maia escrevem para o JOTA PRO Poder.
- Segundo a Corte, a medida respeitará a Constituição e o teto salarial, hoje fixado em R$ 46.366,19.
Por que importa: A iniciativa busca alinhar autonomia institucional e rigor fiscal diante de decisões que suspenderam pagamentos acima do teto.
- O tema envolve impacto direto nas contas públicas e na remuneração do funcionalismo.
- A definição ocorreu após reunião de Edson Fachin com Davi Alcolumbre e Hugo Motta, e a proposta será construída de forma conjunta entre Supremo, Senado e Câmara.
⏩ Pela frente: A liminar de Flávio Dino será analisada hoje (25) pelo plenário.
- A expectativa é que o julgamento não seja concluído no mesmo dia devido aos debates previstos.
4. Agora vai?

Senadores da Comissão de Assuntos Econômicos debateram ontem (24) com o ministro André Mendonça, do STF, a logística para que Daniel Vorcaro preste depoimento em Brasília, Lucas Mendes registra no JOTA PRO Poder.
- A oitiva está agendada para a próxima terça (3).
Por que importa: Os senadores disseram haver compromisso do dono do Master em comparecer.
- Eles afirmaram ainda que conversaram com Mendonça sobre o acesso a elementos da investigação do caso Master.
- O ministro ofereceu a possibilidade de um avião da PF ser usado para fazer o deslocamento de Vorcaro, que cumpre medidas cautelares em São Paulo com uso de tornozeleira eletrônica, e de seu advogado.
- A senadora Damares Alves (foto) elogiou o trabalho de Mendonça e declarou que a investigação está sendo conduzida de uma forma “extraordinária”.
- “Inclusive no compartilhamento de informações, a palavra de ordem lá dentro foi transparência. E nós precisamos registrar que o que ouvimos nos alegrou muito”, disse.
5. The Trump Show

No discurso anual de estado da União, no Congresso dos Estados Unidos, Donald Trump voltou a criticar a decisão da Suprema Corte contra o tarifaço e reforçou que a estratégia para reinstituir as taxas não precisa de aprovação legislativa.
- Leia os principais trechos no New York Times (sem paywall).
Por que importa: No final das contas, os Estados Unidos implementaram uma nova tarifa global de 10%, apesar de Trump ter anunciado no sábado (21) que o percentual passaria a 15%, e a tarifa entrou em vigor nesta terça-feira (21).
- Com isso, permanece no ar a ameaça e fica adiada, ao menos por enquanto, a decisão de aplicar o teto previsto na lei a que recorre o governo americano para taxar as outras nações (15%), Vivian Oswald registra no JOTA PRO Poder.
- A mudança de planos teria se dado após reação negativa por parte de diversos parceiros comerciais dos Estados Unidos, incluindo a União Europeia e o Reino Unido.
- Funcionários do governo em Washington afirmam que o percentual mais alto será implementado depois, segundo jornais americanos.
- A possibilidade de aumento também deixa no ar margem para que países tentem negociar mais isenções.
6. Capítulos finais

A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal começou a julgar ontem (24) a ação penal contra os acusados de mandar matar a vereadora carioca Marielle Franco, assassinada junto com o motorista Anderson Gomes em março de 2018.
- O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, disse que há provas dos crimes e da autoria para a condenação dos cinco réus, Lucas Mendes registra no JOTA.
- Chateaubriand afirmou que a organização criminosa integrada pelos réus dominava territórios em associação a milicianos, o que permitia a constituição de “fortes currais eleitorais” em que mantiveram um monopólio de atos de campanha eleitoral.
- “A contrapartida dos grupos milicianos foi o acesso que o mundo político poderia proporcionar”, afirmou o vice-procurador-geral.
- “Há prova robusta que a organização criminosa composta pelo denunciados praticava de forma sistemática extração, usura e parcelamento irregular do solo.”
🔭 Panorama: São réus o ex-deputado Chiquinho Brazão; Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado; Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio; o ex-major Ronald Paulo Alves Pereira; e Robson Fonseca, assessor de Domingos Brazão conhecido como Peixe.
- A PGR defende a condenação de todos por duplo homicídio qualificado e pela tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves.
- Os irmãos Brazão e Peixe também devem ser condenados por organização criminosa, segundo a PGR.
7. Tributação e indústria

A proporção de processos tributários tem crescido de forma constante e, em 2026, atingiu 40% das ações em que a CNI (Confederação Nacional da Indústria) é parte no STF, Flávia Maia escreve no JOTA.
- O levantamento leva em conta os processos no qual a CNI atua como autora, observadora ou amicus curiae, mas não inclui os nos quais ela é a parte requerida.
- Em 2025, o tema tributário correspondia a 37% dos processos, em 2024, 36%, e em 2023, 33%.
- O segundo assunto com maior demanda são os processos trabalhistas, com 26% das ações. Entre as prioridades do setor está o julgamento da pejotização (ARE 1.532.603).
⚖️ Panorama: Um dos principais temas tributários que preocupam a indústria é a redução linear de 10% de incentivos e benefícios fiscal previstos na LC 224/2025.
- Com a ADI 7920, a CNI se tornou a segunda representante de interesses setoriais a judicializar o assunto — a CNS (Confederação Nacional de Serviços) já havia entrado com uma ADI sobre o tema na semana passada. Leia mais.
- Outros dois temas tributários em destaque para a indústria são a tributação de dividendos pelo imposto de renda (ADI 7914) e a tributação dos benefícios fiscais concedidos pela União, Estados, Distrito Federal e municípios (ADI 7604).
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