Os números da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgados nesta quarta (25) confirmam a expectativa por uma disputa eleitoral polarizada entre Lula e Flávio Bolsonaro, mas surpreenderam pela rapidez com que o senador diminuiu a margem de diferença.
Essa foi a primeira vez que a consultoria registrou empate entre os dois no cenário de segundo turno, com Flávio numericamente à frente: 46,3% contra 46,2%.
Mas o dado mais relevante é a tendência, Daniel Marcelino e Marianna Holanda analisam na nota de abertura: a vantagem de Lula vem encolhendo de forma contínua desde dezembro de 2025, quando era de 12,8 pontos percentuais.
Em janeiro, caiu para 4,3 pontos e, agora, praticamente desapareceu: apenas 0,1 ponto percentual, em desvantagem para o presidente, dentro da margem de erro da pesquisa.
Ainda assim, neste momento, Lula permanece favorito, prossegue a análise.
Boa leitura.
1. O ponto central: Margem reduzida
Os números divulgados ontem (25) pela AtlasIntel/Bloomberg reforçam a leitura de perda de tração de Lula e o avanço do senador Flávio Bolsonaro na disputa pelo Planalto, Daniel Marcelino e Marianna Holanda escrevem no JOTA PRO Poder.
Por que importa: A percepção de um cenário eleitoral mais competitivo foi recebida de forma positiva por investidores e pegou parte do mundo político de surpresa, diante da rapidez da redução da margem de Lula na pesquisa, que, até recentemente, o apontava com chances de vitória já no primeiro turno.
🧮 Panorama: Uma leitura mais fria dos dados indica que tanto o crescimento de Flávio como o recuo de Lula não ocorreram no vácuo.
- Parte desse movimento é atribuída a erros do Planalto, como a decisão de permitir que o herdeiro político do ex-presidente ganhasse espaço sem enfrentamento direto…
- …somados ao desgaste pela participação de Lula no Carnaval, que gerou reações negativas especialmente entre segmentos mais conservadores.
- Integrantes do centrão e uma ala do Planalto tiveram a mesma leitura da pesquisa: a disputa será mais acirrada que o esperado.
- De certa forma, a melhora no desempenho do senador já era esperada, mas surpreendeu especialmente a rapidez com que isso ocorreu.
A avaliação é de que a pesquisa consolida o cenário polarizado, com uma direita antes reticente a Flávio se cristalizando em torno dele.
- O recado é claro para os petistas que chegavam a cogitar uma vitória em primeiro turno: é preciso descer do salto.
Na leitura de aliados de Flávio, o senador tende a crescer ainda mais no eleitorado de centro-direita.
- Essa fatia do eleitorado não quer votar em Lula e antes resistia ao nome do senador, mas passou a vê-lo como a opção disponível contra o petista.
- A rejeição ao senador tenderia a diminuir com o avanço da campanha, esperam.
- Um cacique do centrão aplicou essa mesma lógica: trata-se de uma batalha de rejeições — e Flávio demonstrou fôlego neste momento.
⏩ Pela frente: A disputa caminha para ser apertada.
- Ainda assim, Lula preserva o favoritismo neste momento, não apenas por ocupar a Presidência, mas por dispor de uma agenda de governo e de entregas a apresentar ao eleitorado durante a campanha — algo que seu adversário não tem.
UMA MENSAGEM DO MATTOS FILHO
Fácil amplia acesso de companhias de menor porte ao mercado de capitais

Em 16 de março, entrará em vigor o regime de Facilitação do Acesso a Capital e de Incentivos a Listagens (Fácil) – iniciativa regulatória que busca ampliar o acesso de companhias de menor porte ao mercado de capitais. A proposta prevê a simplificação das exigências para registro e realização de ofertas públicas, além da redução de custos regulatórios.
O novo regime permitirá que companhias de menor porte (CMPs), ou seja, aquelas com receita bruta anual inferior a R$ 500 milhões, realizem ofertas públicas de valores mobiliários com maior flexibilidade e menor custo. Entre as mudanças previstas está a possibilidade de substituir os prospectos tradicionais por formulários simplificados.
Na opinião de Jean Arakawa, sócio da prática de Mercado de Capitais do Mattos Filho, a regulamentação do Fácil “é o resultado de anos de discussão no mercado, na busca de um regime que confira maior flexibilidade às ofertas, sem descuidar da necessária proteção aos investidores”. Tomás Neiva, sócio da prática de Venture Capital do Mattos Filho, complementa: “o Fácil pode se tornar uma alternativa muito interessante para a crise de liquidez que afeta o investimento de risco no país”.
2. ‘Dividir o efeito colateral’

O relator da PEC pelo fim da jornada 6×1, deputado Paulo Azi (União-BA), acredita que a proposta pode ter efeitos negativos nas relações de trabalho, como o aumento da pejotização, caso não seja devidamente compensada.
- O parlamentar defende que há espaço para discutir alternativas capazes de “dividir o efeito colateral” da mudança, em entrevista a Mariah Aquino e Marianna Holanda no JOTA PRO Poder.
Por que importa: Responsável pela proposta na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, que analisa apenas a admissibilidade e constitucionalidade, não o mérito, Azi admite a intenção de adiantar a discussão do conteúdo do texto nas audiências públicas que vai propor ao colegiado.
- A ideia é ouvir os ministros do Trabalho, Luiz Marinho, e da Fazenda, Fernando Haddad, além de representantes dos trabalhadores e do setor produtivo.
- “Tem empresas que o custo da mão de obra tem um peso muito grande na formação do custo de produção dela, é relevante”, destaca Azi ao JOTA.
- “E aí, como é que vai se dar? Vai se dar um tratamento diferenciado para esses setores? Como é que se posiciona o governo? Ele se dispõe a, de alguma forma, ter uma legislação específica com relação, por exemplo, a desonerações da folha de pagamentos, incentivos fiscais?”
- A íntegra foi enviada aos assinantes JOTA PRO Poder.
3. Ritmo e prazos

Ao dar uma liminar suspendendo penduricalhos nos Três Poderes, Flávio Dino sabia que, no mínimo, conseguiria pautar a discussão até então morna no Legislativo e no Judiciário.
- Ainda, tentaria imprimir o ritmo das medidas a serem tomadas a partir do estabelecimento de prazos apertados.
- A tentativa é que o assunto não entre em banho-maria, como ocorreu nas últimas vezes, Flávia Maia escreve em sua coluna no JOTA.
💸 Panorama: No saldo da atual briga contra os supersalários, já são duas liminares no Supremo e a promessa de uma norma de transição sobre os limites do teto constitucional com a assinatura do Congresso, da Procuradoria-Geral da República e do Tribunal de Contas da União.
Sim, mas… Os avanços têm longo caminho a percorrer — no Judiciário, as liminares precisam ser validadas; no Congresso, é necessário aprovar tanto a regra de transição quanto a lei que discrimina o que deve ser entendido como verba indenizatória.
Um dos termômetros será o julgamento da validade da liminar de Dino.
- Nos bastidores, a tendência é que ela seja mantida pela maioria no voto a voto.
- A reclamação está na pauta do plenário do STF mesmo com a proposta da regra de transição na mesa.
- Ainda não foi marcado o referendo da liminar de Gilmar, mas ela pode ser um fiel na balança e aparecer nos debates.
Aliás… O Gilmarpalooza deste ano já tem data.
- O 14º Fórum de Lisboa está previsto os dias 1º, 2 e 3 de junho, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em Portugal.
- A edição deste ano tem como tema a “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”. Leia mais.
4. Ponto final

Oito anos após o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal condenou por unanimidade os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão a mais de 76 anos de prisão cada por serem os mandantes do crime, Lucas Mendes e Flávia Maia escrevem no JOTA.
- O colegiado também condenou o delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, a 18 anos de reclusão por obstrução de Justiça e corrupção passiva.
- A turma condenou ainda dois ex-policiais militares: Ronald Paulo Alves Pereira, a 56 anos de prisão pelos homicídios de Marielle e Anderson; e Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos conhecido como Peixe, a 9 anos de prisão por integrar a organização criminosa miliciana dos irmãos Brazão.
🔭 Panorama: Os ministros seguiram o voto do relator, Alexandre de Moraes, que acolheu quase todos os elementos da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República.
- O magistrado, no entanto, votou para desclassificar os crimes imputados contra Rivaldo Barbosa diante de “dúvida razoável” e faltas de provas.
- A PGR havia denunciado o delegado pelos homicídios, mas, para Moraes, não houve comprovação das declarações feitas na delação premiada de Ronnie Lessa, assassino de Marielle.
- Seguiram Moraes os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. A discussão sobre as penas foi feita logo após a análise dos crimes — veja abaixo como a dosimetria de cada um.
5. Convites

A CPI do Crime Organizado aprovou convites e convocações de autoridades para esclarecer investigações envolvendo o Master e a Operação Compliance Zero, Maria Eduarda Portela registra no JOTA PRO Poder.
- Entre os alvos estão os ministros do Supremo Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além de integrantes do governo Lula.
Por que importa: O movimento eleva a pressão política sobre o Judiciário, o Executivo e o sistema financeiro.
- Moraes e Toffoli foram convidados a prestar esclarecimentos.
- Rui Costa e Gabriel Galípolo também foram chamados para falar sobre reunião, em 2024, entre Lula e Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto.
O colegiado também aprovou a convocação de ex-integrantes do governo Jair Bolsonaro.
- Roberto Campos Neto foi convocado para falar sobre combate à lavagem de dinheiro e financiamento de atividades ilícitas durante sua gestão no Banco Central.
- Paulo Guedes também foi convocado para esclarecer suposta infiltração do crime organizado no sistema financeiro.
- Senadores devem questionar Guedes sobre incentivo à criação de fintechs e regulamentação no mercado de capitais
6. Surpresinha

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, deixou de pautar a votação do PL 278/2026, que viabiliza a criação do Redata — regime especial de tributação para data centers instituído por meio da MP 1.318/25, cujo prazo de validade terminou ontem (25).
- Sem a aprovação do texto, o regime especial caduca, Edoardo Ghirotto registra no JOTA.
Por que importa: A informação pegou o governo de surpresa, e a motivação de Alcolumbre ainda não está clara.
- Alcolumbre encerrou a sessão pouco após as 17h e, na saída do plenário, disse que não pautou porque “o projeto chegou hoje”, sem dar maiores informações.
- O Executivo promete entrar firme na negociação para convencer o presidente do Senado a concluir a tramitação antes da meia-noite de quinta (26).
- Mais cedo, interlocutores do governo estiveram com assessores de Alcolumbre e explicaram que o vencimento da MP travaria a aprovação do PL, devido à impossibilidade de criar uma renúncia fiscal fora da atual LDO.
7. Mais um passo

A Câmara aprovou ontem (25), o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 41/26, que estabelece o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, Maria Eduarda Portela e Mariah Aquino escrevem no JOTA.
- O texto já havia sido aprovado na Representação Brasileira no Parlasul (Parlamento do Mercosul).
- Agora, a matéria segue para o Senado.
Por que importa: Hugo Motta afirmou que, em reunião com o vice Geraldo Alckmin, foi garantido que decretos com salvaguardas aos produtos brasileiros podem ser publicados nos próximos dias, para atender à demanda da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária).
⏩ Pela frente: A expectativa é de que o Congresso Nacional ratifique o tratado até março.
- O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad, informou que o texto deverá passar pela comissão, onde foi montado um grupo de trabalho, e depois seguirá para o plenário.
- De acordo com o deputado Pedro Lupion, presidente da FPA, a matéria será relatada na Casa Alta pela senadora Tereza Cristina (PP-MS).
- Para que o acordo passe a valer para o Brasil é necessária a aprovação pelo Congresso Nacional e pelo Parlamento Europeu.
- Após essas tratativas, o texto poderá entrar em vigor antes que os demais parlamentos do Mercosul aprovem o tratado.
8. ‘Espécie de frustração’

Após a retirada da taxação de bets da versão aprovada do PL Antifacção, o ministro da Justiça, Wellington Lima, defendeu a medida como fonte “fundamental” de financiamento da segurança, mas ponderou que não é o único caminho.
- Ele disse que o objetivo é aprovar algum modelo de financiamento no debate da PEC da Segurança, Lucas Mendes registra no JOTA.
Por que importa: A definição da fonte de recursos deve influenciar o alcance das políticas previstas na proposta em discussão no Congresso.
- O texto do PL Antifacção aprovado retirou um dispositivo que instituía a Cide-Bets, que previa alíquota de 15% sobre apostas esportivas online, destinada ao Fundo Nacional de Segurança Pública.
- De acordo com o ministro, a retirada da taxação das bets do PL Antifacção gerou uma “espécie de frustração”.
- Segundo ele, se o Congresso não pôde atender a esse ponto agora, “que atenda logo a seguir, na PEC, por meio de qualquer modelo que surja no Congresso ou que seja apresentado pelo governo”.
⏩ Pela frente: Lima afirmou que há diferentes propostas em estudo, mas evitou antecipar detalhes e disse que o modelo precisa respeitar a responsabilidade fiscal e garantir recursos compatíveis com o combate ao crime organizado.
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