JOTA Principal: Lula corre em busca do tempo perdido nas articulações de SP e MG

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Estamos na última semana de fevereiro, e de repente o que parecia distante — o prazo de desincompatibilização, em abril — já está logo ali.

No prefácio do novo livro de Lira Neto, Lula escreve que só entendeu “o real significado” de Getúlio Vargas para o Brasil após ler os três volumes da biografia escrita pelo autor, registra O Globo (com paywall).

Hoje, o petista emula uma característica que Vargas demonstrou já na infância e manifestou durante toda sua trajetória política: esperar até o último momento possível para tomar decisões importantes.

No atual contexto, isso se refletiu na demora em definir os palanques de São Paulo e Minas Gerais, os dois mais importantes colégios eleitorais do país.

Chegou a hora de Lula descer do umbuzeiro e correr atrás do tempo perdido, como analisamos na nota de abertura.

Boa leitura e boa semana.


1. O ponto central: ⏱️ Em busca do tempo perdido

À frente nas pesquisas de intenção, Lula ainda precisa resolver pendências com partidos aliados e na montagem das chapas para confirmar seu favoritismo em outubro, Fabio MuraKawa e Marianna Holanda escrevem no JOTA PRO Poder.

  • A principal delas faz parte de um enredo que encadeia a definição de seu palanque em São Paulo com o posto de vice na chapa presidencial.
  • Lula afirmou a um interlocutor que a escolha pode acontecer nesta semana, já no retorno da viagem à Ásia.

Sim, mas… Outras fontes em seu entorno acreditam que o presidente está ganhando tempo e que o desfecho pode ocorrer mais perto do prazo de desincompatibilização, no início de abril.

🔭 Panorama: No Planalto, aliados veem Lula jogando para confundir.

  • No xadrez político, o presidente costuma deixar as peças se movimentarem para ver quem avança e se posiciona melhor. 
  • Neste ano, entretanto, se viu obrigado a ajustar a estratégia diante da resistência de Fernando Haddad em disputar a eleição e da tentação de atrair um grande partido, como o MDB, para formar sua chapa.
  • A sinalização ajuda a criar espuma e enfraquecer alas dentro da legenda propensas a um acordo com Flávio Bolsonaro, mas mesmo caciques do MDB aliados de Lula não acreditam que o partido se uniria para apoiá-lo em consenso na eleição.

O cenário mais provável ainda segue o de Geraldo Alckmin permanecer na vice, apesar de sinais contraditórios emitidos pelo petista nas últimas semanas.

  • Haddad tem insistido que não quer ser candidato, mas Lula joga pesado para convencê-lo, e o PT também quer o ministro na disputa ao Bandeirantes.
  • Outro palanque que o petista precisa resolver é o de Minas Gerais, onde Lula tem Rodrigo Pacheco, hoje no PSD, como sua principal aposta.
  • Os dois trabalham em dobradinha: Pacheco negocia com União Brasil e MDB para afastar essas legendas do grupo político de Romeu Zema (Novo), cujo vice, Mateus Simões, se filiou ao PSD e concorrerá à eleição com o apoio do governador.
  • Essa costura também passa pelo presidente, que trabalha para garantir a neutralidade da federação União–PP e do MDB em âmbito nacional.

⏩ Pela frente: Encerrada a folia, esta semana será decisiva para as articulações de alianças regionais.

  • Lula demorou para se mexer e garantir um palanque nos dois principais colégios eleitorais do país.
  • Agora, com o prazo político para a formação das chapas cada vez mais próximo, precisa de um pouco mais de tempo para se definir.
  • Tanto ele como Flávio têm uma série de conversas marcadas para avançar na montagem dos palanques.

UMA MENSAGEM DO MATTOS FILHO

Aperto regulatório do Banco Central impacta as fintechs

O Banco Central vem editando desde o final de 2025 normas que impõem novos requisitos regulatórios às fintechs. Entre eles estão exigências ampliadas de capital mínimo , bem como mecanismos de governança, monitoramento e avaliação de riscos mais robustos. Essas mudanças refletem a maturação do setor e a preocupação do regulador em garantir maior proteção aos investidores e estabilidade ao sistema financeiro.

“Após anos marcados pelo incentivo à inovação e à competitividade no mercado, o Banco Central iniciou uma nova fase mais dedicada a garantir solidez e segurança na indústria”, avalia Paulo Brancher, sócio da prática de Banking & Finance do Mattos Filho.

O resultado desse cenário é a elevação do custo de entrada e permanência no mercado, gerando uma tendência de consolidação. Tomás Neiva, sócio da prática de Venture Capital do Mattos Filho, complementa: “fintechs que encontrem dificuldades para operar sob as novas regras, mas que possuam bons fundamentos, tendem a se tornar alvo de aquisição por incumbentes ou concorrentes mais bem posicionados”.


2. Sinuca de bico

Lula e Motta em evento no Planalto / Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

Na leitura de líderes, a proximidade com as eleições e o temor da reação do eleitorado impossibilitam, neste momento, a derrubada do veto de Lula ao projeto de supersalários, Marianna Holanda escreve no JOTA.

  • A estratégia era ter votado os projetos em dezembro, quando a pauta era extensa e a opinião pública teria outros temas para esmiuçar, como a taxação de bets ou a cassação de deputados.
  • O problema é que a análise ficou para este ano.
  • O projeto foi votado numa semana esvaziada, tendo o efeito contrário do planejado inicialmente — “supersalário” é um termo rejeitado por uma enorme maioria das pessoas, independentemente do estado.

A mera possibilidade de veto já irritou a cúpula do Congresso, já que a aprovação no plenário teve apoio da articulação do governo.

  • Mas, quando o texto chegou ao Planalto, Lula teve de fazer o mesmo cálculo dos parlamentares: daqui a sete meses também será reavaliado nas urnas.

Por que importa: Agora, o Congresso fica encurralado.

  • Por um lado, conceder reajuste a funcionários do Legislativo é importante para Motta, do ponto de vista da política interna.
  • Por outro, há um desgaste intrínseco na pauta, que causa reação nas ruas num ano em que os deputados e senadores querem afastar a todo custo a pecha de “inimigo do povo”.

⏩ Pela frente: Para reverter a decisão de Lula, os parlamentares precisariam derrubar o veto em uma sessão, ainda sem data.

  • Davi Alcolumbre não deu qualquer sinalização de que pretende convocar sessão de Congresso tão cedo.
  • A pauta de temas espinhosos e polêmicos é extensa, de dosimetria a emendas parlamentares.
  • É sintomático que, em público, ninguém tenha saído em defesa da manutenção dos textos.
  • Reservadamente, se queixam de quebra de acordo do Planalto e circula a tese de que os projetos não estão em desconformidade com a decisão de Flávio Dino.
  • Assim, a preços de hoje, Lula pode escapar de uma nova crise com o Parlamento, por um cálculo eleitoral.

3. Aliás…

Dino no plenário do Supremo / Crédito: Antonio Augusto/STF

O Supremo Tribunal Federal, que já teve clima melhor entre os ministros, irá avaliar na quarta (25), no plenário, a decisão de Flávio Dino de suspender o pagamento de penduricalhos nos Três Poderes.


4. A volta do que não foi

Os deputados Mendonça Filho e Guilherme Derrite / Crédito: Lula Marques/Agência Brasil

O tema da segurança pública estará no foco da Câmara neste retorno pós-Carnaval.

  • O PL Antifacção, que causou rusgas entre governo, oposição e Hugo Motta, passa a trancar a pauta a partir de quarta-feira (25).
  • Dessa forma, o PT começou a defender que o projeto seja votado antes da PEC da Segurança Pública, ao contrário do acordo celebrado entre líderes antes do feriado.
  • O relator do texto na Câmara, Guilherme Derrite (PP-SP), à direita na foto acima, havia feito uma série de modificações na proposta do governo, que foram atenuadas pelo relatório de Alessandro Vieira (MDB-SE) no Senado.
  • Agora, a disputa estará entre aceitar as mudanças da Casa Alta ou votar para manter o projeto aprovado anteriormente na Câmara.
  • Em relação à PEC da Segurança Pública, há arestas entre o ministério e o relator, Mendonça Filho (União-PE), à esquerda na foto acima. 
  • O governo trabalha para chegar a um texto possível entre a proposta original e o relatório apresentado.

Em paralelo, na terça (24), o ministro Wellington César Lima e Silva (Justiça) se reunirá na Câmara com membros da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.

  • Também estão confirmados, até o momento, o secretário nacional de Segurança Pública, Francisco Lucas Costa Veloso, e o secretário nacional de Políticas Penais, André de Albuquerque Garcia.

⏩ Pela frente: A reunião de líderes para discutir a pauta está marcada apenas para a quinta-feira (26).


5. Dominós

Trump em coletiva de imprensa na semana passada / Crédito: Chen Mengtong/China News Service/VCG via Getty Images

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar as “tarifas recíprocas” de Donald Trump não é o fim da guerra comercial iniciada na posse do americano, Vivian Oswald escreve no JOTA.

Por que importa: A Casa Branca já vinha avaliando um plano B há algum tempo, pois sabia que eram fortes as chances de que isso acontecesse, dado o andamento do processo nas instâncias inferiores.

  • Para o Brasil, interlocutores ouvidos pelo JOTA que acompanham o tema em Washington afirmaram não descartar que o USTR acelere a investigação em curso sob a seção 301.
  • Foi esta investigação que desencadeou reação inédita no Brasil, que viu o Executivo e o Legislativo trabalharem em tempo recorde para aprovar a Lei de Reciprocidade.

⏩ Pela frente: A decisão de sexta-feira (20/2) pode afetar o teor da reunião “olho no olho” que Lula terá com Trump em Washington — a previsão para o encontro até então era na semana de 15 de março.

  • Neste contexto ainda turvo, existem duas possibilidades.
  • A decisão da Suprema Corte pode afetá-la para o bem, já que tira o “bode da sala” sem que o Brasil dê nada em troca, exatamente como pretendia o governo brasileiro, e sem custos para Washington, que não precisa dizer que cedeu.
  • Por outro lado, há ainda o potencial de afetar o encontro de maneira negativa, caso o USTR resolva acelerar o processo de investigação contra o Brasil.

6. Sob nova direção

composição tse
André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli / Fotomontagem: Ca Aulucci/JOTA

O que esperar da composição do Tribunal Superior Eleitoral para 2026?

  • Os ministros que estarão à frente da Justiça Eleitoral neste ano já deram declarações públicas de que a nova composição adotará “discrição”.
  • Além disso, as minutas de resoluções que o tribunal publicou dão uma ideia de sua posição a respeito de temas sensíveis, como a remoção de conteúdos por plataformas digitais durante o período de campanha, Carolina Maingué Pires escreve no JOTA.

🔭 Panorama: Nunes Marques e André Mendonça ocuparão os cargos de presidente e vice do TSE, respectivamente.

  • Dias Toffoli junta-se a eles para preencher as três vagas reservadas a ministros da Corte Máxima.
  • Já as vagas do TSE destinadas a ministros do STJ são ocupadas por Antônio Carlos Ferreira, atual corregedor-geral eleitoral, e Ricardo Villas Bôas Cueva.
  • Pela classe dos advogados, tomaram posse os juristas Floriano Peixoto de Azevedo Marques Neto (reconduzido para mais um mandato) e Estela Aranha, ambos indicados por Lula.

Aliás… O PL acionou o TSE com um pedido antecipado de provas contra Lula por conta do desfile da Acadêmicos de Niterói.

  • O objetivo é usar as provas em futuras ações judiciais, uma vez que não cabe Aije (ação de investigação judicial eleitoral) antes da formalização das candidaturas.
  • No texto apresentado à Justiça Eleitoral, a legenda requer informações para mapear a extensão da interferência financeira e organizacional do poder público na escola de samba.
  • Um dos focos é a atuação da Embratur, presidida por Marcelo Freixo. Leia mais.

7. Agenda BSB: Master, crime organizado e mais

  • O presidente interino da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), João Accioly, prestará esclarecimentos à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado na terça (24). O convite foi feito no âmbito da subcomissão da CAE que acompanha as investigações envolvendo o caso Master. Accioly também deverá falar a respeito da atuação da comissão envolvendo a instituição financeira.
  • A CPI do Crime Organizado marcou para esta semana os depoimentos do diretor-geral da Meta no Brasil, Conrado Leister, e do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias. O executivo deverá prestar esclarecimentos na terça (24) a respeito da utilização de produtos da Meta, como o Instagram e o WhatsApp, para divulgação de atividades criminosas e como suposta fonte de financiamento do crime organizado. Já na quarta (25), TH Joias deverá se manifestar sobre a presença do crime organizado dentro das instituições. O ex-deputado estadual foi preso por tráfico, corrupção e lavagem de dinheiro e é investigado por suposta ligação com o Comando Vermelho.
  • A Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul) retoma nesta terça (24) a votação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. A análise do relatório do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) foi adiada após um pedido de vista do deputado Renildo Calheiros (PC do B-PE). A expectativa é de que a comissão mista aprove o parecer de Chinaglia. Na sequência o texto deve ser apreciado no plenário da Câmara em regime de urgência, seguindo para o Senado.
  • A Comissão Especial sobre Transição Energética da Câmara realiza na quarta (25) um evento para discutir o papel dos biocombustíveis no Mapa do Caminho para descarbonização da economia. Além da presença de presidentes de associações, está confirmada a participação do diretor da ANP, Pietro Mendes. 

8. Aliança para a vida

Tabata Amaral e João Campos: recém-casados / Crédito: Instagram/Camilla Bandeira

Parabéns à deputada Tabata Amaral e ao prefeito do Recife, João Campos, que se casaram neste sábado (21) na Capela de São Benedito, na praia dos Carneiros, litoral sul de Pernambuco.

Fonte

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