Crise do Banco Master: A ciranda de pressões que trava a pauta entre Lula e Alcolumbre

O avanço das investigações sobre o Banco Master deflagrou uma crise política sem precedentes em Brasília, criando um efeito dominó que atinge os Três Poderes. O cenário de incerteza no Senado, somado ao receio de uma eventual delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, gerou um mal-estar profundo entre o Palácio do Planalto e o comando do Congresso Nacional.

O “Efeito Master” no Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), enfrenta um dilema: ao mesmo tempo em que tenta manter a normalidade da Casa, sofre pressão de parlamentares que temem os desdobramentos das investigações da Polícia Federal. Embora Alcolumbre resista à instalação de uma CPI, o clima de apreensão é alimentado pela troca da equipe de defesa de Vorcaro, o que aumentou os boatos de um acordo de colaboração com o Ministério Público.

A crise já reflete na pauta de votações. Como represália ao que considera uma “falta de controle” do governo sobre a Polícia Federal, Alcolumbre tem imposto derrotas ao governo Lula, como a não pauta de projetos de interesse do Executivo e o adiamento de indicações para cargos estratégicos, incluindo vagas no STF e em agências reguladoras.

O Cabo de Guerra entre Lula e Alcolumbre

A relação entre o presidente Lula e Davi Alcolumbre vive seu pior momento. O ponto de fricção central é a percepção da classe política de que o Planalto teria influência sobre os rumos da PF, especialmente após declarações de Lula sobre investimentos do banco em fundos de previdência do Amapá — estado de Alcolumbre — pouco antes de operações policiais.

O governo, por sua vez, nega qualquer gerência sobre as investigações e tenta, por meio de ligações diretas e negociações de cargos, recompor a base aliada para evitar que temas cruciais, como a PEC da Segurança Pública, fiquem parados.

O papel do “Centrão” e as Eleições de 2026

Na avaliação de deputados e senadores, o principal alvo de uma eventual delação seria o Centrão. No entanto, a ciranda de culpas também respinga no PT, especialmente na Bahia, e em aliados regionais no Amapá.

Com o “inferno astral” instalado, a política em Brasília aguarda um encontro presencial entre Lula e Alcolumbre para uma tentativa de repactuação. Sem esse acordo, o Senado sinaliza que continuará sendo o principal palco de resistência à agenda do governo, transformando a crise do Master em uma paralisia legislativa de longo prazo.


Fonte: Análise baseada na cobertura legislativa do JOTA.

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