Mineração como pilar estratégico

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A emergência das mudanças climáticas impôs uma transição energética acelerada, que somente será possível com o aumento significativo da produção mineral.
Há milênios, os minerais são absolutamente fundamentais para a civilização humana, mas foi depois da Revolução Industrial que se transformaram na espinha dorsal do nosso desenvolvimento. São matéria-prima para praticamente todos os setores da economia, de forma que a vida como conhecemos hoje depende, essencialmente, da nossa capacidade de extrair e utilizar esses recursos.
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O aquecimento global abriu um novo e promissor capítulo para a mineração, haja vista que as fontes de energia limpa – solar, eólica, nuclear –, bem como a mobilidade verde, demandam uma quantidade significativamente maior de minerais. Um veículo elétrico pode conter até 300 kg de lítio, cobalto, níquel, manganês, grafite, alumínio, cobre, em comparação aos 50 kg dos carros convencionais.
A eletrificação da frota mundial, a digitalização, a inteligência artificial e data centers estão por trás da explosão de demanda por um grupo seleto de minerais, os Elementos de Terras Raras, especialmente Neodímio, Praseodímio, Disprósio e Térbio, fundamentais para a produção de ímãs de alto desempenho. Um ímã de Neodímio do tamanho de uma moeda, por exemplo, é forte o suficiente para sustentar mais de 10 quilos, fornecendo níveis incomparáveis de magnetismo e resistência à desmagnetização. São ideais para o desenvolvimento de dispositivos elétricos mais leves, eficientes e potentes.
O Brasil está muito bem posicionado no cenário global da mineração, possuindo uma das maiores e mais diversificadas riquezas minerais do mundo. Segundo o Serviço Geológico Brasileiro, o país é o maior detentor global de reservas de nióbio, o segundo maior em reservas de grafita e de terras raras e a terceira maior reserva global de níquel. Destaca-se também por suas reservas de minério de ferro de alto teor que tem sido a locomotiva da mineração brasileira.
Em 2025, segundo o Instituto Brasileiro da Mineração (Ibram), o faturamento do setor mineral nacional foi de R$ 298,8 bilhões, um aumento de 10,3% em relação a 2024. O setor gera quase 300 mil postos de trabalho e arrecada, anualmente, mais de R$ 100 bilhões em impostos e tributos. Foram exportadas 416,4 milhões de toneladas de produtos minerários, o que representa 55% de todo o saldo da balança comercial do país. Números da pujança de um setor que explora apenas uma fração do território nacional.
O conhecimento geológico detalhado do território brasileiro é um desafio histórico, ainda existindo extensas áreas do território nacional com nível de conhecimento bastante defasado, quase vazios cartográficos. Com apenas 25% do território nacional coberto por dados geoquímicos, pode-se imaginar as riquezas minerais que existem em nosso subsolo.
Porém, para o país alcançar o patamar de potência mineral e atrair investimentos no setor, o SGB estima que sejam necessários investir cerca de R$ 200 milhões em mapeamentos em escalas mais adequadas, 1:100.000, geológicos até 2034.
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Só assim, poderemos buscar mais ganhos com a agregação de valor – como fornecedor de minerais para processo de alta tecnologia –, do que apostar na exportação de commodities tradicionais, que demandam volumes cada vez maiores para serem rentáveis. Várias decisões impactarão este futuro e uma delas será tomada durante o debate e a aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, da qual sou relator na Câmara dos Deputados.
O Brasil está diante de uma oportunidade sem tamanho, por meio da qual pode integrar mineração com política industrial, acelerando, ainda mais, a transição para uma economia de baixo carbono.
Fonte
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