Os desafios do governo Lula nas eleições: Banco Master

​ 

Este artigo é o primeiro de uma série analisando o cenário político-econômico brasileiro de 2026 e os desafios que o governo Lula terá pela frente para se reeleger.

*

Mais uma vez o Brasil caminha para uma eleição acirrada entre a centro-esquerda petista e a extrema direita bolsonarista. O que para alguns militantes petistas há algumas semanas seria um “passeio no parque”, com comentários nas redes sociais de que o presidente Lula (PT) já venceria Flávio Bolsonaro (PL) no 1º turno, virou uma possível tempestade com o avançar do tempo e das pesquisas.

Segundo a última pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, o filho 01 de Jair Bolsonaro aparece tecnicamente empatado com o presidente, mas numericamente à frente, com 47,6% contra 46,6% das intenções de voto. Quando questionados se aprovam ou desaprovam o presidente, a maioria dos entrevistados (53,5%) respondeu que desaprova, com 45,9% aprovando. Já quando os entrevistados foram perguntados sobre a avaliação do governo, estas foram as respostas: ruim/péssimo: 49,8%; bom/ótimo: 40,6%; regular: 9,6%.

Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas

Esse nível de desaprovação acende o sinal de alerta na campanha petista porque ele é semelhante ao do ex-presidente Bolsonaro no mesmo estágio de governo. O recorte temporal coincide com 3 anos e 3 meses de mandato — mesma fase em que Bolsonaro apresentava índices semelhantes.

Diante desse cenário que se apresenta, quais deverão ser os grandes temas que pautarão as eleições de 2026? Por enquanto, o que se desenha é que a corrupção e a segurança pública deverão ser os assuntos que protagonizarão a disputa. Neste artigo falaremos do primeiro.

Em relação à corrupção, o escândalo do Banco Master, que tem abalado as estruturas dos Três Poderes, dessa vez incluindo até o Judiciário, promete se intensificar ainda mais com a provável delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que poderá não só comprometer políticos e juízes, mas também empresários e até líderes religiosos.

Segundo a revista Veja, Vorcaro estaria organizando sua delação em blocos. Em um deles o dono do Master reuniu todos os pagamentos de propinas e negociatas com políticos. Haveria um bloco específico para empresários delatados, outro para o mercado financeiro e um anexo exclusivo para o Banco Central.

Em entrevista ao Globo, o cientista político Alberto Carlos Almeida afirma que, embora o caso Master impacte o sistema político como um todo, atualmente quem simboliza tudo isso seria o presidente Lula e não a família Bolsonaro. No mesmo sentido, as denúncias de irregularidades no INSS também seriam em sua maioria prejudiciais ao governo.

Ele ressalta, entretanto, que o cenário pode mudar até o início da campanha. “Em 2005, por exemplo, o mensalão durou como escândalo que impactou a avaliação do Lula de meados do ano até novembro. Depois, o presidente passou a recuperar a popularidade e venceu a eleição”, lembrou.

O que tem prejudicado ainda mais o governo petista é a postura de parte da mídia mainstream que tem “blindado” políticos de direita e extrema direita do escândalo do Master enquanto tenta colar o caso ao governo e ao próprio presidente.

No programa Estúdio i, da GloboNews, foi exibido um quadro lembrando muito o famoso PowerPoint do ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol que resumiria os principais nomes dos Três Poderes ligados a Vorcaro. Em primeiro plano, a arte mostrou imagens do presidente Lula, do presidente do BC, Gabriel Galípolo, do ex-ministro Guido Mantega e a estrela do PT. Após a repercussão do fato, a jornalista e apresentadora do programa, Andréia Sadi, pediu desculpas ao vivo e afirmou que o material estava “errado e incompleto”.

Além de ter sugerido ligações espúrias entre os integrantes da arte, algo que por enquanto não pode ser afirmado no caso de alguns como Lula, o que torna esse episódio ainda mais grave é o fato de terem ficado de fora indivíduos com ligações muito mais próximas a Vorcaro, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), com quem, segundo mensagens interceptadas pela Polícia Federal, Vorcaro mantinha ótima relação a ponto de chamá-lo de “um dos grandes amigos de vida”, e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, que admitiu ter advogado para o Master após alegar em nota que não possuía “qualquer relação” com Vorcaro “além de contatos sociais eventuais, como ocorre com diversas pessoas do meio político e empresarial”. Nogueira e Rueda chegaram inclusive a voar com o ex-banqueiro em um mesmo helicóptero da empresa de táxi aéreo em que Vorcaro era sócio.

Além disso, o quadro da GloboNews ignorou nomes da extrema direita como Bolsonaro, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O empresário e pastor da Igreja Lagoinha Belvedere em Belo Horizonte, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e o principal operador financeiro da organização criminosa investigada na Operação Compliance Zero, que apura fraudes ligadas ao Master, foi o maior doador de campanha, entre pessoas físicas, de Tarcísio e Bolsonaro.

Já Nikolas usou um avião do ex-banqueiro junto a pastores e influenciadores no giro pelas capitais nordestinas no segundo turno das eleições de 2022, revelou o blog da jornalista Malu Gaspar em O Globo. Na primeira vez que usou o jato de Vorcaro, o parlamentar embarcou de Belo Horizonte a Brasília, no dia 10 de outubro de 2022, acompanhado do pastor André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha. Valadão é amigo pessoal de Zettel e é próximo de Vorcaro.

Assine gratuitamente a newsletter Últimas Notícias do JOTA e receba as principais notícias jurídicas e políticas do dia no seu email

O cenário que se monta, portanto, começa a se assemelhar ao da Lava Jato: um escândalo de proporções sistêmicas que, independentemente de sua distribuição real entre os campos políticos, é enquadrado pela mídia de forma a prejudicar principalmente o campo governista. A questão é se o público, saturado de denúncias e escândalos, terá capacidade para separar o joio do trigo antes das urnas.

O governo Lula chega a 2026 com a tarefa de inverter uma equação desfavorável: recuperar a confiança do eleitorado numa conjuntura de desgaste político, escândalos e uma oposição numericamente competitiva. Para isso, precisará de mais do que defesa, mas de uma narrativa que reconecte o projeto petista às demandas concretas da população. Caso contrário, o que hoje ainda é uma “possível tempestade” pode se transformar, em outubro de 2026, em derrota.

Fonte

A notícia Os desafios do governo Lula nas eleições: Banco Master apareceu antes em ÉTopSaber Notícias.

   

Partilhe o seu amor

Leave a Reply