
A renúncia do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, nesta segunda-feira (23/3) deve provocar um rearranjo na estratégia do grupo bolsonarista no estado com impacto na chapa anunciada no início do ano pelo pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.
Em fevereiro, o filho de Jair Bolsonaro apresentou como encaminhada uma chapa que combinava o então secretário de estado de Cidades, Douglas Ruas, ao governo e dois nomes ao Senado — o próprio Castro e Márcio Canella. O desenho dependia, porém, de uma premissa que não se confirmou: o adiamento ou a diluição dos riscos jurídicos enfrentados pelo governador no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O julgamento será retomado nesta terça-feira (24/3), com perspectiva de derrota para Castro.
Ao antecipar a renúncia, Castro busca alterar o eixo da disputa judicial. A aposta de aliados é que, fora do cargo, ele reduza o alcance de uma eventual condenação e evite a sanção mais dura — a inelegibilidade — preservando, assim, sua candidatura ao Senado.
O plano inicial previa que, com a saída do governador, Douglas Ruas assumiria o comando do estado por meio de eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), ganhando visibilidade e usufruindo da estrutura administrativa para impulsionar sua candidatura.
Esse cenário foi alterado após decisão liminar do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, na semana passada, que estabeleceu a exigência de desincompatibilização com pelo menos seis meses de antecedência para candidatos ao pleito indireto. Como Ruas ocupava até semana passada cargo no Executivo, ele fica impedido de disputar. O grupo político ainda não decidiu qual nome vai apoiar diante do novo cenário.
A decisão atendeu a uma ação do PSD, partido do prefeito Eduardo Paes, que questionou a previsão da Alerj de conceder apenas 24 horas após a renúncia para a desincompatibilização. O STF ainda deve analisar o tema de forma colegiada nos próximos dias.
Além de comprometer o plano original do grupo bolsonarista, a decisão é vista por aliados de Paes como uma oportunidade para o grupo viabilizar um nome competitivo.
Entre as opções em avaliação está o deputado estadual Chico Machado (Solidariedade), ligado ao presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar.
Diante do novo cenário, aliados de Flávio Bolsonaro revisam não apenas o apoio à eleição indireta, mas também a viabilidade da chapa anunciada, que passa a depender, sobretudo, da elegibilidade de Castro após sua saída do cargo.
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