Segurança energética e desenvolvimento sustentável: o potencial do gás natural

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A escalada das tensões no Oriente Médio e o risco de ampliação do conflito envolvendo o Irã voltam a lembrar ao mundo algo que muitas vezes é esquecido em momentos de estabilidade: energia é uma questão estratégica e no caso de países envolve soberania nacional. Em períodos de crise geopolítica, nações que dependem excessivamente de fontes externas ficam mais vulneráveis a choques de preços e a instabilidades no abastecimento.

Esse contexto reforça um debate essencial para o Brasil: a necessidade de fortalecer sua independência energética e transformar seus abundantes recursos naturais em desenvolvimento econômico, social e ambiental. Nesse cenário, o gás natural pode e deve desempenhar um papel central.

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O Brasil possui reservas relevantes, sobretudo associadas ao pré-sal, e potencial para ampliar significativamente a oferta desse energético, tornando o país autossuficiente e soberano. Ainda assim, o país convive com uma situação paradoxal: enquanto a indústria nacional precisa de gás competitivo para competir com a China, produzir e investir, 60% do que é produzido é reinjetado nos campos.

E não é só gás natural que está sendo reinjetado. Nesse processo, também perdemos GLP, o gás de cozinha. Números da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam que o potencial de triplicar a produção de GLP a partir do gás do pré-sal até 2030, tornando o país autossuficiente. Um aumento da produção nacional de GLP teria impactos diretos na redução do preço, melhorando o acesso da população mais pobre, substituindo fontes energéticas mais poluentes, além do cenário fiscal, dados os gastos do governo federal com o programa Gás Para Todos.

Para a indústria brasileira, esse debate é urgente e decisivo. O gás natural é reconhecido como o combustível da transição energética. Ele permite reduzir emissões quando substitui fontes mais intensivas em carbono, ao mesmo tempo em que oferece segurança e flexibilidade ao sistema energético. Em diversos setores industriais — como siderurgia, química, cerâmica, vidro e alimentos — o gás contribui decisivamente para processos produtivos mais limpos e eficientes.

Além disso, o gás natural pode ser um poderoso motor de desenvolvimento sustentável brasileiro. Estudos apontam que a ampliação da oferta e a redução estrutural do custo do gás poderiam impulsionar investimentos, estimular a reindustrialização e gerar milhões de empregos ao longo da próxima década.

Mas para que esse potencial se concretize é necessário avançar em algumas frentes essenciais. O assunto é complexo, há grande assimetria de informação entre produtores e órgãos de governo e sociedade. Lembremos: os hidrocarbonetos são um bem da União, que delega às empresas a exploração com o princípio de maximizar sua utilização para o país. Sendo assim, por regra, toda a produção de gás deveria ser ofertada ao mercado (pagando royalties e participações ao Estado).

Dessa forma, a reinjeção seria a exceção, devidamente fundamentada tecnicamente, seja pelo nível de contaminantes, seja para maximizar a produção do petróleo. Como comparação, países com perfil de produção similar (Noruega, Nigéria e Argélia), apresentam taxa de reinjeção variando entre 20% e 35%

Outro paradigma que parece induzir à reinjeção é a lógica econômica dos projetos de exploração e produção, que podem exigir taxas de retorno na comercialização de gás natural equivalentes ao petróleo. Tal premissa pode fazer sentido aos produtores, mas não ao país, que pode utilizar o gás como uma alavanca ao desenvolvimento.

Isso não seria uma jabuticaba. Nos Estados Unidos, produtores chegam a vender o gás natural a preços negativos (!), já que sua remuneração está no óleo. O baixo preço estrutural do gás americano gerou uma onda de investimentos e se tornou um diferencial competitivo estratégico para a economia e para a soberania norte-americana.

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O Brasil tem diante de si uma oportunidade histórica. Poucos países reúnem ao mesmo tempo recursos naturais abundantes, matriz energética relativamente limpa e capacidade industrial para liderar a transição energética global.

Transformar o gás natural em um instrumento de competitividade, descarbonização e desenvolvimento não é apenas uma agenda setorial. É uma estratégia de país, uma agenda de nação. Em um mundo cada vez mais marcado por disputas geopolíticas e por transformações tecnológicas profundas, garantir energia abundante, competitiva e segura pode ser a diferença entre se desenvolver ou ficar para trás.

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