Nesta terça-feira (17/03/2026), uma operação conjunta entre a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) atingiu a cúpula de um esquema criminoso especializado em fraudes na Previdência Social. Entre os alvos principais está a deputada federal Maria Gorete (MDB-CE), que agora deverá cumprir medidas cautelares rigorosas, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que apontou “indícios robustos” de que a parlamentar se aproveitava de sua influência política para viabilizar desvios vultosos em prejuízo de aposentados e pensionistas.
Como funcionava o esquema de corrupção
Segundo as investigações, a organização criminosa teria desviado ao menos R$ 450 milhões. O esquema operava da seguinte forma:
- Entidades de Fachada: Associações de aposentados eram criadas ou ativadas mediante pagamento de propina a servidores.
- Descontos Indevidos: Valores eram subtraídos diretamente das aposentadorias dos beneficiários sem autorização.
- Lavagem de Dinheiro: Os recursos ilícitos passavam por empresas administradas pela deputada e seus familiares.
Relatórios da PF indicam que o nome de Maria Gorete aparecia expressamente em planilhas de propina apreendidas no WhatsApp, com valores que chegavam a R$ 780 mil. A investigação também aponta que a deputada adquiriu um apartamento de luxo avaliado em mais de R$ 4 milhões e um veículo de R$ 400 mil com o proveito dos crimes.
Medidas Cautelares e Prisões
Embora a PGR tenha sinalizado favoravelmente à prisão, o ministro André Mendonça optou, no caso da deputada, pela aplicação de medidas alternativas:
- Uso de tornozeleira eletrônica;
- Proibição de deixar o município de residência;
- Recolhimento domiciliar noturno e em dias de folga;
- Proibição de manter contato com outros investigados.
Por outro lado, o ministro determinou a prisão preventiva do empresário Natjo de Lima Pinheiro, apontado como líder financeiro do grupo, e da advogada Cecília Rodrigues Mota, considerada a articuladora central da organização.
Tráfico de Influência no INSS
A apuração revela que Gorete mantinha contato direto com a cúpula do INSS e pressionava servidores para agilizar o credenciamento das associações ligadas a ela. A PF afirma que a congressista detinha “amplos poderes” sobre essas entidades por meio de procurações, o que permitia o controle total do fluxo financeiro desviado.
Fonte: Redação com informações de JOTA.








