O Banco Central do Brasil (BC) decretou, nesta quarta-feira (18), a liquidação extrajudicial do Banco Pleno (antigo Voiter). A instituição, que já integrou o conglomerado do Banco Master, enfrentava uma crise aguda de liquidez e restrições operacionais severas impostas pela autoridade monetária.
A medida ocorre no rastro de uma série de liquidações no setor que atingiram o Master, o Letsbank, o Will Bank e a administradora Reag entre o fim de 2025 e o início de 2026.
Crise de Liquidez e Bloqueio de CDBs
A situação do Banco Pleno deteriorou-se após o Banco Central proibir a instituição de emitir novos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) para fins de financiamento. Sem essa fonte de captação, o banco perdeu a capacidade de honrar compromissos, resultando em títulos negociados no mercado secundário a taxas atípicas de 165% do CDI ao final de 2025.
Os números do balanço de junho de 2025 já indicavam um desequilíbrio estrutural:
- Patrimônio Líquido: R$ 672,6 milhões.
- Passivo Total: R$ 6,68 bilhões.
- Dívida em CDBs: R$ 5,4 bilhões.
O BC ressaltou que o conglomerado detinha uma participação pequena no Sistema Financeiro Nacional, representando apenas 0,04% do ativo total.
O Elo com a Operação Compliance Zero
O atual controlador do banco, Augusto Lima, e seu ex-sócio Daniel Vorcaro (Banco Master), foram alvos da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de fraudes em carteiras de crédito vendidas ao Banco Regional de Brasília (BRB).
Embora o Pleno tenha sido separado do conglomerado Master em julho de 2025, a gestão de Lima foi marcada por estruturas empresariais opacas e laços com a Reag Investimentos, instituição liquidada por suspeita de operar para o crime organizado (Operação Carbono Oculto).
Histórico de Reestruturações: Do Indusval ao Pleno
Os problemas da instituição remontam à época em que operava sob o nome Indusval, focado no agronegócio. Ao longo dos anos, o banco passou por diversas transformações:
- 2019: Rebatizado como Voiter, visando uma transformação digital.
- 2024: Adquirido pelo Banco Master após uma tentativa frustrada de compra pela Capital Consig.
- 2025: Transferido para Augusto Lima e renomeado como Banco Pleno, coincidindo com a fase de venda do Master ao BRB.
Quem é Augusto Lima?
Natural da Bahia, Augusto Lima construiu uma ascensão meteórica no setor financeiro a partir da criação do Credcesta em 2018. Sua trajetória na “Faria Lima” foi interrompida pela prisão em novembro de 2025. As investigações apontam que ele utilizava teias societárias complexas e fundos de investimento para mascarar operações irregulares e ganhos milionários.
Com a liquidação decretada, o processo passa agora para a fase de apuração de ativos e pagamentos de credores, sob a égide do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), dentro dos limites regulamentares.






