O cenário regulatório brasileiro para o setor financeiro está em constante evolução, impulsionado pela inovação tecnológica e pela crescente digitalização dos serviços. Nesse contexto, o Banco Central do Brasil (BC) tem atuado proativamente para garantir a segurança, a estabilidade e a conformidade das operações. Recentemente, o Ouribank S.A. formalizou um Termo de Compromisso com a autoridade monetária, que prevê um aporte de R$ 5 milhões e a implementação de melhorias em seus procedimentos internos, com foco nas operações de câmbio eletrônico, ou eFX, especialmente aquelas que envolvem prestadores de serviços de agregação de operações.
A Natureza das Operações eFX e Seus Desafios Regulatórios
As operações eFX referem-se a transações de câmbio realizadas de forma eletrônica, frequentemente associadas a pagamentos e remessas internacionais digitais. Elas são essenciais para a economia globalizada, facilitando o comércio exterior, o turismo e o envio de dinheiro entre países. Contudo, a agilidade e a escala dessas operações trazem consigo desafios significativos para a supervisão regulatória, incluindo:
- Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PLD) e ao Financiamento do Terrorismo (FTP);
- Conheça Seu Cliente (KYC) e a identificação de beneficiários finais;
- Segurança cibernética e proteção de dados;
- Garantia da correta precificação e transparência para o consumidor;
- Gerenciamento de riscos operacionais e de crédito.
A complexidade aumenta quando terceiros, como os agregadores de operações, entram na cadeia de valor, atuando como intermediários que consolidam volumes de transações de diversos clientes ou sub-agentes, antes de as encaminharem para a instituição financeira licenciada.
O Instrumento do Termo de Compromisso no Âmbito do Banco Central
O Termo de Compromisso é um instrumento jurídico-administrativo utilizado pelo Banco Central como alternativa a processos sancionadores formais. Ele permite que a instituição supervisionada se comprometa a sanar irregularidades ou aprimorar suas práticas dentro de um prazo estipulado, em troca de uma eventual mitigação ou suspensão de penalidades administrativas. Suas principais características incluem:
- Natureza Ponderada: Oferece uma via mais célere e consensual para a resolução de questões regulatórias;
- Comprometimento com Ações Corretivas: A instituição assume a obrigação de implementar medidas específicas para adequar-se às normas;
- Contribuição Financeira: Frequentemente, envolve o pagamento de um valor que pode ser destinado ao próprio BC ou a fundos específicos, como o Fundo de Defesa de Direitos Difusos;
- Transparência: A assinatura e os termos são geralmente divulgados, conferindo publicidade à atuação da autoridade.
Para as instituições financeiras, a celebração de um Termo de Compromisso pode ser benéfica, pois demonstra proatividade na resolução de problemas, evita o desgaste de longos processos administrativos e ajuda a preservar a reputação no mercado.
Os Detalhes do Acordo Ouribank-BC e a Relevância dos Agregadores
O Termo de Compromisso firmado pelo Ouribank estabelece um valor de R$ 5 milhões e, crucialmente, um plano de ação para o aprimoramento dos procedimentos. O foco na melhoria dos controles relacionados aos prestadores de serviços de agregação de operações eFX sublinha uma preocupação específica do regulador. Isso indica que, possivelmente, foram identificadas fragilidades nas diligências ou na supervisão que o banco exercia sobre esses parceiros.
A atenção aos agregadores é justificada pela sua posição estratégica na cadeia de pagamentos. Eles podem introduzir complexidade adicional na rastreabilidade das operações e na identificação final dos participantes, tornando ainda mais crítica a aplicação de robustos mecanismos de KYC, PLD/FTP e conformidade. O Ouribank, ao se comprometer a aprimorar esses controles, sinaliza um reforço em sua governança e na gestão de riscos associados a terceiros.
Implicações para o Mercado Financeiro e o Futuro da Regulação
A formalização deste Termo de Compromisso entre o Ouribank e o Banco Central serve como um lembrete e um balizador para todo o mercado financeiro. Ele reforça a expectativa do regulador de que as instituições não apenas cumpram as normativas vigentes, mas também desenvolvam e mantenham controles internos ágeis e eficazes para se adaptar às novas modalidades de serviços e parcerias.
Para outras instituições que operam com eFX e utilizam agregadores, o caso do Ouribank é um indicativo da necessidade de revisar e fortalecer suas próprias políticas e procedimentos de due diligence e monitoramento de terceiros. A capacidade de inovar e oferecer serviços digitais deve ser equilibrada com a responsabilidade de gerenciar os riscos inerentes, garantindo a integridade do sistema financeiro e a proteção dos usuários. Este movimento do BC demonstra um compromisso contínuo com a supervisão prudencial em um ambiente de rápida transformação digital.
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