O Brasil está entrando em uma nova era econômica onde a água deixou de ser uma abundância garantida para se tornar um fator estratégico de competitividade. O conceito de “falência hídrica” saiu dos relatórios ambientais e tornou-se um risco material real para cidades e indústrias. Em 2026, o país enfrenta o desafio de redefinir sua gestão de recursos para garantir a resiliência operacional diante de crises climáticas.
O Desafio do Reúso de Água no Brasil
Embora o Brasil possua grandes mananciais, o reaproveitamento de água ainda é incipiente. Segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o país reutiliza menos de 2% do esgoto tratado, enquanto a média global ultrapassa os 11%.
Referências internacionais como Singapura, Namíbia e Israel — que reutiliza quase 90% de seu esgoto na agricultura — mostram que as barreiras não são tecnológicas, mas sim regulatórias e culturais.
O “Custo Brasil Hídrico” e as Barreiras Regulatórias
Por que o reúso avança lentamente por aqui? A resposta reside no chamado “Custo Brasil hídrico”. Investidores enfrentam um cenário de fragmentação de normas entre estados e municípios, o que gera insegurança jurídica.
Além disso, há um debate complexo sobre o equilíbrio econômico dos contratos: sistemas de reúso exigem infraestrutura avançada e, inicialmente, podem custar mais do que a captação direta de rios. Sem incentivos tarifários e diretrizes nacionais claras, projetos de impacto sistêmico acabam desestimulados.
Ilhas de Excelência e Inovação
Apesar dos entraves, existem exemplos de sucesso no território nacional:
- Aquapolo Ambiental: O maior empreendimento de reúso industrial da América Latina, abastecendo o Polo Petroquímico de Capuava (SP).
- SANASA Campinas: Utiliza a Estação Produtora de Água de Reúso (EPAR) para fins não potáveis, como limpeza urbana e combate a incêndios.
A Agenda Nacional para 2026
O cenário começa a mudar com a atuação da ANA na harmonização de normas e o avanço de projetos de lei no Congresso, como o PL 6.715/25 e o PL 10.108/18. Estas medidas buscam definir competências, dar transparência aos sistemas de reúso e tornar o modelo economicamente competitivo.
A transição de uma economia baseada na “abundância aparente” para uma estrutura de circularidade hídrica não é apenas uma escolha ambiental, mas uma estratégia de segurança nacional e sobrevivência industrial para a próxima década.
Fonte: Análise baseada na coluna de Infraestrutura do JOTA.








