
Foram dias de indefinição em torno do gabinete do ministro de Minas e Energia, especialmente na véspera do prazo da janela partidária e da desincompatibilização. Na última semana, interlocutores de Alexandre Silveira se contradiziam: alguns diziam que ele mantinha o plano de ser candidato ao Senado; outros cravavam que ele continuaria à frente da pasta.
Segundo fontes, a decisão foi tomada pelo presidente Lula e envolveu articulação com uma série de lideranças políticas. Há relatos de novos pedidos pela cabeça do ministro por parte de Davi Alcolumbre (União-AP), mas o fato é que Silveira ficou sem espaço na eleição mineira.
A ideia de ajudar a campanha de Lula ao articular a base em Minas Gerais, como fez em 2022, desidratou: parte das bases nos municípios migrou para outras legendas e, entre os que ficaram, a tendência é de apoio à chapa do PSD. Sem possibilidade de se candidatar por sua legenda, partido no qual deve continuar, Silveira não encontrou ambiente receptivo em outras grandes siglas, como MDB e PSB — este último a nova casa de Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
O clima entre Silveira e o senador, que, ao que tudo indica, deve se tornar o candidato de Lula ao governo de Minas Gerais, continua o mesmo do último ano: ruim. A subida de Lula ao palanque mineiro foi comprometida e, com isso, o ministro começa a dar sinais claros de uma mudança de rota política.
Em sua participação na Latam Energy Week, no Rio de Janeiro, Silveira deu indícios de que pode trabalhar duplamente pela reeleição de Lula e, ao mesmo tempo, apoiar a candidatura de Mateus Simões, ex-vice de Zema e atual governador de Minas.
O ministro teceu elogios a Simões: “Muito preparado, foi até professor do meu filho na faculdade”, disse, ao participar de um painel no evento, e desejou boa sorte aos dois em Minas Gerais.
O governador é próximo de Silveira, relação que existe desde antes de sua ida para a legenda. Um exemplo disso é a indicação de um nome do ministro para a vice-presidência da Cemig — possivelmente Alexandre Ramos, atual presidente da CCEE.
A postura foi indiretamente referendada por Gilberto Kassab, que também participou do evento. O presidente do PSD defendeu a candidatura de Ronaldo Caiado como um perfil moderado, entre Lula e Flávio Bolsonaro, capaz de entregar pautas como reforma administrativa e voto distrital, mas deixou claro que a legenda irá acomodar os acordos estaduais para flexibilizar outros palanques, como no caso da Bahia. “Não vejo nenhum problema”, disse Kassab, especificamente sobre Silveira fazer campanha para Lula.
Para interlocutores do Planalto ouvidos pelo JOTA, a situação exige uma intervenção do próprio Lula para evitar desdobramentos e a escalada do mal-estar entre Pacheco e Silveira, que podem impactar não apenas a campanha presidencial, mas também a relação entre outras lideranças políticas e o governo.
Correligionários do ministro tentam colocar panos quentes e garantir que Silveira fará campanha “apenas” para Lula, sem entrar na disputa estadual.
Porém, aliados do presidente da República no estado e em seu partido entenderam o recado como uma possibilidade de costurar uma campanha que contemple tanto Lula quanto Simões — o que não agradou especialmente ao PT mineiro, que já não é afeito a Silveira. O governador de Minas deve dividir oficialmente seu palanque político no estado, obviamente, com Caiado.
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