AGU questiona constitucionalidade das leis das bets no STF

A AGU protocolou pedido na ADI 7749, sob relatoria do ministro Luiz Fux, alegando que o modelo atual das bets falha na proteção de direitos constitucionais.

A Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7749, de relatoria do ministro Luiz Fux, um pedido para que o Supremo Tribunal Federal declare a inconstitucionalidade de dispositivos das Leis nº 13.756/2018 e nº 14.790/2023, que regulamentam as apostas de quota fixa.

Fundamentação e contexto da controvérsia

O órgão sustenta que o modelo de exploração das bets, conforme desenhado pelo legislador, não oferece salvaguardas eficazes para bens jurídicos protegidos pela Constituição Federal. A petição argumenta que a liberalidade regulatória das normas vigentes compromete a dignidade da pessoa humana, a saúde pública e a ordem econômica.

A AGU aponta que medidas administrativas adotadas pelo Poder Executivo desde 2024 foram insuficientes para conter os danos sociais. Entre os dados apresentados, destaca-se um aumento de 140% nos atendimentos do SUS relacionados ao jogo patológico entre janeiro de 2018 e dezembro de 2025. Além disso, a União menciona riscos de lavagem de dinheiro, citando o rastreamento de R$ 300 milhões pela Operação Primma Migratio da Polícia Federal.

Impactos práticos da ADI 7749

  • Possibilidade de revisão integral do modelo de exploração de apostas de quota fixa no Brasil.
  • Questionamento sobre a eficácia das normas de proteção ao consumidor e ao mínimo existencial das famílias.
  • Reforço da tese de que o regime atual fere princípios constitucionais de saúde pública e integridade financeira.
  • Uso de dados epidemiológicos do SUS como prova de dano social para embasar o controle de constitucionalidade.
  • Exposição dos riscos de crimes financeiros, como lavagem de dinheiro, associados à falta de rigor na fiscalização das plataformas.


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