El Niño: o gigante que nos aguarda e os desastres que podemos evitar

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As previsões meteorológicas apontam para a ocorrência de um El Niño excepcionalmente forte ainda em 2026, com temperaturas batendo recordes, estiagens imprevisíveis e chuvas torrenciais menos de três anos após o intenso evento de 2023–2024. Trata-se, claro, de um fenômeno natural. No entanto, se antes seu ciclo médio era de cerca de cinco anos, o aquecimento dos oceanos tem antecipado sua recorrência e intensificado seus efeitos.

O principal fator por trás disso é o aquecimento contínuo do planeta. Vivemos uma sequência recente que inclui os anos mais quentes já registrados. Mesmo 2025, sob influência de La Niña, apresentou temperaturas elevadas, e os oceanos seguem aquecidos, interferindo diretamente na forma como o El Niño se desenvolve.

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O fenômeno ocorre quando os ventos alísios perdem força, reduzindo a ressurgência de águas frias na região equatorial do Pacífico e elevando a temperatura da superfície do mar. Essa alteração desencadeia mudanças significativas no clima global e nos regimes de chuva, além de contribuir para o aumento da temperatura média do planeta. No Brasil, seus efeitos incluem secas severas e fora de época no Norte, além de chuvas intensas no Sul.

Os impactos do El Niño tendem a se consolidar gradualmente. Um evento iniciado no meio do ano geralmente atinge seu pico apenas no final do ano e início do seguinte. Isso reduz as chuvas na Amazônia justamente durante seu período mais úmido, criando uma sequência de precipitações abaixo da média. Foi o que observamos em 2024, quando houve recordes de queimadas, e é o que pode se repetir em 2027, dependendo da evolução do fenômeno.

A experiência recente de 2023–2024 ainda está fresca na memória, trazendo não apenas lembranças dos impactos, mas também dúvidas sobre nossa capacidade de resposta. A questão central é se estamos preparados.

A resposta passa não apenas pela reação aos incêndios, mas, sobretudo, pela prevenção. É fundamental fortalecer ações de comando e controle para coibir o desmatamento ilegal, principal vetor de incêndios, e criar mecanismos eficazes de responsabilização pelas queimadas. Também será necessário investir em campanhas educativas sobre o uso do fogo: quando ele é menos arriscado, como utilizá-lo com segurança e quais alternativas estão disponíveis.

As brigadas de incêndio serão igualmente cruciais, especialmente aquelas que atuam em áreas protegidas. Essas regiões são extensas, de difícil acesso, e, uma vez iniciado, o fogo se torna extremamente difícil de conter. As brigadas comunitárias, nesse contexto, constituem a primeira linha de resposta.

A gestão do fogo também precisa ser aprimorada, sobretudo no nível municipal, que ainda representa o elo mais frágil dessa cadeia. A Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, aprovada em 2024, é um avanço importante. Seus resultados iniciais, especialmente no Pantanal, são promissores e indicam um caminho positivo.

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Ainda assim, persistem lacunas. Após um ano com menor incidência de incêndios, como 2025, houve uma redução de 17% no orçamento destinado à área, cerca de R$ 101 milhões a menos em relação ao ano anterior. Além disso, o conceito de Manejo Integrado do Fogo no Brasil ainda precisa ser mais difundido e compreendido como um conjunto amplo de estratégias, que vão além da queima prescrita e devem ser adaptadas às especificidades de cada bioma.

Tudo indica que enfrentaremos mais um ano de temperaturas muito elevadas. O aumento na frequência e intensidade dos eventos de El Niño torna este momento um teste crucial para avaliar os avanços alcançados desde 2024 e o estágio atual da gestão do fogo e de seus impactos. Embora progressos tenham sido feitos, ainda há um longo caminho a percorrer, especialmente na integração entre os setores público e privado e no fortalecimento do apoio às comunidades locais.

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