Justiça autoriza retomada parcial das operações na Mina de Fábrica

Após paralisação decorrente de incidente ambiental em 2026, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais autoriza a Vale a retomar parcialmente as atividades na Mina de Fábrica, condicionada ao cumprimento de termos de compromisso.

O Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG) proferiu decisão autorizando a mineradora Vale a retomar, de forma parcial, suas operações na Mina de Fábrica, situada em Ouro Preto (MG). A medida coloca fim a um período de paralisação que perdurava desde janeiro de 2026, estabelecendo um precedente importante sobre a gestão de riscos e responsabilidade ambiental no setor minerário.

Contexto da paralisação e danos ambientais

A interrupção das atividades na unidade ocorreu após o transbordamento da Cava Área 18, registrado em 25 de janeiro de 2026. O incidente resultou no carreamento de aproximadamente 260 mil a 262 mil metros cúbicos de água com sedimentos, afetando diretamente o Córrego Água Santa e o Rio Maranhão, afluente do Rio Paraopeba.

Investigações preliminares apontaram falhas críticas no sistema de drenagem e o uso inadequado da estrutura da cava como reservatório de rejeitos e água, o que motivou autuações e multas severas por parte dos órgãos de fiscalização ambiental.

Condicionantes judiciais e termos de compromisso

A autorização judicial para o retorno operacional não é irrestrita. O tribunal condicionou o funcionamento da mina ao cumprimento rigoroso de um termo de compromisso firmado entre a mineradora, o Ministério Público Estadual e o governo de Minas Gerais.

A decisão exige que a companhia observe integralmente as licenças ambientais vigentes e as condicionantes de segurança estabelecidas pelas autoridades. O descumprimento de qualquer cláusula do acordo pode ensejar a nova suspensão das atividades e a aplicação de sanções administrativas e judiciais adicionais.

Impactos práticos para a advocacia e o setor

  • Compliance Ambiental: Escritórios que atuam no setor minerário devem reforçar a auditoria de sistemas de drenagem e gestão de cavas para evitar a responsabilização civil e administrativa.
  • Gestão de Crise: A decisão reforça a importância dos Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) como instrumentos de viabilização operacional em cenários de litígio ambiental.
  • Monitoramento de Precedentes: Advogados devem acompanhar a execução das condicionantes fixadas pelo TJMG, pois elas servirão de parâmetro para futuras demandas envolvendo barragens e cavas de mineração.
  • Responsabilidade Civil: O caso reitera a tese da responsabilidade objetiva em danos ambientais, onde a falha técnica no sistema de drenagem é suficiente para a caracterização do dever de reparar e a imposição de restrições operacionais.


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