MPT ajuíza ação contra Rico Melquíades por assédio eleitoral

O Ministério Público do Trabalho em Alagoas protocolou ação civil pública com pedido de indenização de R$ 5 milhões contra o influenciador Rico Melquíades por suposto assédio eleitoral e exposição de dados de funcionários.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) em Alagoas ajuizou, nesta sexta-feira (18), uma Ação Civil Pública (ACP) contra o influenciador digital Rico Melquíades. A medida judicial, que tramita na 11ª Vara do Trabalho de Maceió, busca a condenação do réu ao pagamento de R$ 5 milhões a título de danos morais coletivos, em razão de práticas configuradas como assédio eleitoral e exposição indevida de dados pessoais de seus funcionários.

Contexto da controvérsia e a denúncia do MPT

A controvérsia teve origem após a publicação de conteúdos em redes sociais nos quais o influenciador expôs funcionárias domésticas, associando-as a preferências políticas partidárias. Segundo a peça acusatória do MPT, o empregador teria coagido as trabalhadoras, ameaçando-as de demissão em razão de divergências ideológicas. O caso ganhou repercussão nacional após o influenciador filmar uma funcionária, determinar que ela retirasse seus pertences e declarar que não manteria em sua residência alguém vinculado a determinado partido político.

Fundamentação jurídica e limites do poder diretivo

O MPT sustenta que a conduta do influenciador ultrapassa os limites do poder diretivo do empregador, violando preceitos fundamentais da Constituição Federal, como a dignidade da pessoa humana e a liberdade de orientação política. A exposição de dados sensíveis e a utilização de trabalhadores para fins de engajamento em redes sociais, sob ameaça de dispensa, configuram, segundo o órgão ministerial, abuso de direito e prática discriminatória vedada pela legislação trabalhista.

O assédio eleitoral no ambiente de trabalho é caracterizado pela pressão, ameaça ou constrangimento exercido pelo empregador para influenciar o voto ou a convicção política do subordinado, ferindo a liberdade de escolha garantida pelo ordenamento jurídico brasileiro.

Impactos práticos para a advocacia e relações laborais

A judicialização deste caso reforça a necessidade de atenção redobrada por parte de empregadores e departamentos jurídicos quanto à gestão de pessoal e exposição em redes sociais. Os principais pontos de atenção para a advocacia incluem:

  • Limites do Poder Diretivo: A jurisprudência trabalhista tem sido rigorosa ao punir condutas que misturam o ambiente laboral com disputas partidárias, configurando assédio moral.
  • Proteção de Dados: A exposição de funcionários em redes sociais sem consentimento, especialmente quando vinculada a dados sensíveis ou situações vexatórias, pode ensejar condenações por danos morais e violações à LGPD.
  • Responsabilidade Civil: O valor pleiteado pelo MPT (R$ 5 milhões) demonstra a postura do órgão em buscar punições pedagógicas e punitivas em casos de grande repercussão social.
  • Compliance Trabalhista: Escritórios devem orientar clientes sobre a necessidade de políticas internas claras que vedem qualquer tipo de coação política ou exposição indevida de colaboradores em plataformas digitais.


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