O que é o NJP e por que a confusão com a transação tributária ocorre?
O Negócio Jurídico Processual (NJP) é um instrumento previsto no Código de Processo Civil que permite às partes convencionar sobre o procedimento judicial. No âmbito da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), ele deveria servir como uma ferramenta de eficiência processual.
Contudo, a PGFN tem aplicado, de forma equivocada, os requisitos restritivos da transação tributária aos pedidos de NJP. Essa confusão técnica cria barreiras burocráticas que impedem o contribuinte de exercer seu direito de pagar a dívida ativa integralmente.
Os impactos da restrição indevida para o contribuinte
Quando a autoridade fiscal impõe as regras da transação ao NJP, ela acaba limitando a autonomia das partes. Isso gera consequências graves para quem busca a regularidade fiscal:
- Impedimento de quitação integral de débitos inscritos em dívida ativa.
- Exigência de requisitos de capacidade de pagamento que não se aplicam ao NJP.
- Aumento do litígio desnecessário entre o fisco e o contribuinte.
- Insegurança jurídica sobre a validade de acordos processuais.
Diferenças fundamentais entre NJP e Transação Tributária
É crucial distinguir os institutos para evitar que o contribuinte seja prejudicado por interpretações extensivas da administração pública. Enquanto a transação tributária visa a concessão de descontos e prazos mediante renúncia de direitos, o NJP foca na gestão do processo.
Pontos de distinção:
- Natureza: O NJP é um negócio processual, enquanto a transação é uma modalidade de extinção do crédito tributário.
- Finalidade: O NJP busca a eficiência e a celeridade; a transação busca a resolução do litígio com concessões mútuas.
- Aplicabilidade: O NJP não deve ser condicionado a critérios de recuperabilidade da dívida, ao contrário da transação.
Como proceder diante da negativa da PGFN?
Se você teve um pedido de NJP negado sob o pretexto de não preencher requisitos de transação, é fundamental buscar orientação jurídica especializada. A jurisprudência tem sinalizado que a administração não pode criar obstáculos ilegais ao pagamento de tributos.
A estratégia jurídica deve focar em demonstrar que o NJP é um instrumento autônomo. O foco deve ser a preservação da autonomia da vontade das partes e a observância estrita aos princípios do devido processo legal e da eficiência administrativa.
Fonte: Aceder à Notícia Original








