Por que as remessas expressas precisam entrar na agenda estratégica do Brasil

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Em 2025, as remessas expressas atingiram um volume relevante nos aeroportos de Guarulhos e Viracopos: foram 3.272 toneladas exportadas e 7.481 toneladas importadas por pessoas físicas e jurídicas. Os números reforçam uma tendência consistente: o comércio internacional está cada vez mais dinâmico, fragmentado e dependente de soluções logísticas ágeis.

No caso das exportações, o resultado representa o segundo maior volume da última década, ficando atrás apenas de 2021 — um sinal da resiliência do setor. Já nas importações, o desempenho é ainda mais expressivo: trata-se do maior volume registrado em dez anos, impulsionado pela crescente demanda por rapidez, previsibilidade e eficiência logística.

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Ainda assim, os resultados não refletem todo o potencial do país. Em um cenário global cada vez mais orientado por cadeias de valor ágeis e digitais, o transporte aéreo de cargas — especialmente as remessas expressas — deveria ocupar posição central na estratégia de inserção internacional do Brasil. No entanto, após quase cinco décadas de atuação, o setor segue enfrentando desafios estruturais e regulatórios que limitam sua expansão e seu pleno reconhecimento como infraestrutura estratégica.

Nesse cenário, a Agenda ConectAr desponta como um ponto de virada importante. Desenvolvida pelo Ministério de Portos e Aeroportos em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a iniciativa inaugura uma abordagem coordenada e de longo prazo para a conectividade aérea no país, ao reconhecer o transporte de cargas como um elemento estratégico para a competitividade econômica brasileira.

Estruturada em três eixos — aumento da concorrência, redução de custos e fortalecimento da segurança jurídica — a Agenda propõe medidas concretas que dialogam diretamente com os desafios do setor de remessas expressas. Entre elas, destacam-se a facilitação do comércio exterior aéreo, a modernização de processos logísticos, a ampliação da infraestrutura aeroportuária (inclusive regional), o estímulo a novos modelos de negócio e a busca por maior previsibilidade regulatória.

Há, ainda, um reconhecimento que não pode mais ser ignorado: em um país de dimensões continentais e com fragilidades nos demais modais, a aviação deixa de ser uma opção complementar para assumir um papel central — como eixo estruturante da integração econômica e territorial, especialmente no transporte de cargas de maior valor agregado e no dinamismo do comércio eletrônico.

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A oportunidade está posta. Se bem implementada, a Agenda ConectAr pode não apenas ampliar a conectividade aérea, mas também reposicionar o Brasil nas cadeias globais de valor, tornando o país mais competitivo, integrado e preparado para a nova dinâmica do comércio internacional.

Para isso, será fundamental avançar de forma coordenada em simplificação, eficiência e estabilidade regulatória. Mais do que aumentar volumes, trata-se de criar as condições para que o Brasil transforme sua logística aérea em um verdadeiro diferencial competitivo.

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