STJ vai decidir futuro do Perse: empresas podem manter benefício até 2027?

O Superior Tribunal de Justiça definirá se as empresas do setor de eventos podem manter os benefícios fiscais do Perse até 2027, apesar das novas limitações orçamentárias impostas pelo governo.

O impasse jurídico sobre o Perse

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) prepara-se para julgar uma questão crucial para o setor de eventos e turismo no Brasil: a manutenção dos benefícios fiscais do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse). O cerne da discussão reside na validade da limitação orçamentária imposta por legislação posterior frente ao prazo original de vigência do programa.

Originalmente concebido para mitigar os impactos da pandemia de Covid-19, o Perse previa benefícios fiscais até 2027. No entanto, a recente Lei 14.859/2024 estabeleceu um teto de R$ 15 bilhões para o custo fiscal do programa, o que resultou em um encerramento antecipado para diversas empresas.

A controvérsia: Lei posterior vs. Direito adquirido

As empresas do setor argumentam que a alteração legislativa fere a segurança jurídica e o planejamento financeiro realizado com base na promessa de desoneração até 2027. O debate jurídico gira em torno de dois pontos principais:

  • A natureza da norma: se o benefício constitui um direito adquirido ou uma expectativa de direito sujeita a alterações orçamentárias.
  • A constitucionalidade da limitação de gastos: se o Poder Executivo pode restringir unilateralmente um benefício concedido por lei anterior sem um período de transição adequado.

Impactos para o setor de eventos e turismo

A decisão do STJ terá repercussões profundas para milhares de empresas que ainda buscam a recuperação financeira após o período de isolamento social. O setor alega que a interrupção abrupta dos benefícios compromete o fluxo de caixa e a manutenção de postos de trabalho.

Caso o tribunal decida pela validade do teto fiscal, muitas companhias poderão enfrentar passivos tributários inesperados, gerando uma onda de judicialização. Por outro lado, uma decisão favorável aos contribuintes reafirmaria a necessidade de estabilidade nas regras tributárias brasileiras.

O que esperar do julgamento no STJ

O julgamento é aguardado com expectativa por especialistas em direito tributário. A corte deverá analisar se a nova lei possui eficácia imediata para todos os beneficiários ou se deve respeitar os princípios da anterioridade e da proteção à confiança.

Recomenda-se que as empresas afetadas mantenham suas estratégias de defesa jurídica atualizadas e acompanhem de perto a movimentação processual. A definição de uma tese vinculante pelo STJ servirá como balizador para as instâncias inferiores e trará maior clareza sobre a continuidade do Perse nos próximos anos.


Fonte: Aceder à Notícia Original

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