TSE autoriza uso da imagem de Jair Bolsonaro em santinhos de campanha

Por 5 votos a 2, o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral reverteu proibição anterior e permitiu que candidatos utilizem a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro em santinhos e materiais de campanha.

Plenário do TSE reverte proibição sobre uso de imagem de Bolsonaro

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por maioria de votos, autorizar a utilização da imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro em materiais de propaganda eleitoral, como santinhos e wind-banners. A decisão, proferida nesta quinta-feira (24), reverte o entendimento anterior da ministra Estela Aranha, que havia proibido a prática em decisão liminar datada de 16 de setembro.

Contexto da controvérsia e a decisão monocrática

A controvérsia teve origem no caso do candidato a deputado estadual Lucas Bove (PL-SP), cujo material de campanha foi alvo de restrição judicial. A ministra Estela Aranha havia fundamentado sua decisão inicial na sentença condenatória que pesa contra o ex-presidente, a qual veda a divulgação de manifestos político-eleitorais, inclusive por terceiros, independentemente do meio utilizado.

A ministra compreendeu que a exposição da imagem de Bolsonaro em destaque nos materiais de campanha configuraria uma extensão dessa vedação, impedindo que o ex-presidente fosse utilizado como cabo eleitoral visual para outros candidatos.

Fundamentação do voto divergente e placar

O Plenário da Corte Eleitoral divergiu do entendimento monocrático. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, liderou a corrente vencedora, sendo acompanhado pelos ministros André Mendonça, Dias Toffoli, Antonio Carlos Ferreira e Ricardo Villas Bôas Cueva. O placar final foi de 5 a 2 pela liberação.

Ficaram vencidos a relatora, ministra Estela Aranha, e o ministro Floriano de Azevedo Marques. A decisão reafirma a liberdade de propaganda eleitoral, distinguindo o uso da imagem de uma figura pública em materiais de apoio da prática de atos que violem as restrições impostas pela condenação criminal do ex-presidente, que atualmente cumpre pena em regime domiciliar por crimes contra o Estado Democrático de Direito.

Impactos práticos para a advocacia eleitoral

  • Segurança Jurídica: A decisão do Plenário estabelece um precedente importante para as campanhas do PL e aliados, garantindo que a imagem de Bolsonaro não seja automaticamente censurada em materiais impressos.
  • Limites da Condenação: Advogados devem atentar-se à distinção entre o uso da imagem (autorizado) e a eventual veiculação de mensagens que configurem manifestos político-eleitorais diretos do ex-presidente, que permanecem vedados pela sentença condenatória.
  • Estratégia de Campanha: Candidatos que utilizam o ex-presidente como principal ativo de marketing eleitoral ganham fôlego jurídico para manter suas peças publicitárias sem o risco de apreensão imediata por ordem monocrática.
  • Recursos: A decisão reforça a importância de levar questões de censura prévia de propaganda ao Plenário, dada a divergência técnica sobre a interpretação das restrições impostas a condenados criminalmente.


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