O abismo entre a doutrina e o balcão
A advocacia real raramente segue a estrutura lógica apresentada nos manuais de Direito. Enquanto a academia foca na subsunção do fato à norma, o exercício profissional exige que o advogado identifique qual problema merece ser judicializado. O erro comum do iniciante é tratar todo conflito como uma lide processual, ignorando que a solução muitas vezes reside na negociação ou na reestruturação de um contrato.
A técnica de filtrar o conflito
O advogado experiente não busca apenas a aplicação fria do Código de Processo Civil ou do Código Civil. Ele avalia o custo-benefício da demanda. A identificação do problema certo envolve analisar se o cliente possui prova documental suficiente, conforme o ônus da prova previsto no art. 373 do CPC, e se a jurisprudência dos tribunais superiores, como o STJ, não consolidou entendimento contrário ao pedido.
Impactos práticos na rotina do escritório
- Redução de demandas improcedentes: A análise prévia evita o ajuizamento de ações fadadas ao insucesso, poupando honorários de sucumbência e tempo da equipe.
- Foco na solução extrajudicial: Identificar que o problema é de natureza comercial, e não jurídica, permite buscar acordos que preservam a relação entre as partes.
- Gestão de expectativas: O advogado que entende a prática sabe comunicar ao cliente que a vitória judicial é apenas uma das possibilidades, e não uma garantia absoluta.
- Eficiência processual: Ao focar no ponto central da controvérsia, o profissional evita petições prolixas que dificultam a compreensão do magistrado.
O Direito dos manuais oferece a base, mas a advocacia ensina que o processo é o último recurso, nunca o primeiro.
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