BC reduz Selic para 14,5% ao ano em meio a incertezas do conflito no Oriente Médio

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (29/4), seguir com a redução da taxa básica de juros da economia em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 14,5% ao ano. É o segundo corte consecutivo desde março, quando começou o atual ciclo de queda. Também nesta quarta, o Federal Reserve (Fed), Banco Central dos Estados Unidos, divulgou a manutenção da taxa de juros do país na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. A decisão ocorre em meio ao anúncio de fim do mandato de Jerome Powell, atual diretor do Fed, que poderá ser sucedido por Kevin Warsh.

Em comunicado, o Copom afirmou que a medida de calibração e a continuidade no ciclo de cortes é apropriada “na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo e extensão dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta”.

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Para o Comitê, a redução não traz prejuízos em seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços e também implica “suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”.

O Copom também informou que ​”o ambiente externo permanece incerto, em função da indefinição a respeito da duração, extensão, e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities“.

No cenário doméstico, o Copom afirmou que o conjunto de indicadores segue em “trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência”.

Inflação

Quanto a inflação, o Comitê citou o último Boletim Focus, publicado na última segunda-feira (27/4), que mostrava a projeção do mercado acima da meta, em 4,9% e 4,0%, e afirmou que os riscos “tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, perante a indefinição acerca dos conflitos no Oriente Médio”.

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Entre as expectativas de alta no cenário inflacionário, o Copom citou desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, maior resiliência na inflação de serviços, uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado. Entre os riscos de baixa, foram destacados uma eventual desaceleração da atividade econômica, uma desaceleração global gerada pela crise geopolítica com reflexos no comércio e no petróleo, além de uma redução nos preços das commodities. 

Impactos do conflito no Oriente Médio

O Comitê também destacou o impacto dos conflitos no Oriente Médio no cenário doméstico. “Seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil”, diz o comunicado. Além de afirmar que as projeções inflacionários tiveram um aumento considerável “em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes”.

Expectativa do mercado financeiro

De acordo com o Boletim Focus publicado na última segunda-feira (27/4), a redução da Selic veio de acordo com a expectativa do mercado financeiro, que previa um corte cauteloso de 0,25 ponto percentual. A cautela da previsão foi seguida pela sinalização do BC, em março, da não garantia da continuidade dos cortes. Na ata da última reunião, o Copom informou que “a magnitude e a duração do ciclo de calibração” seriam determinados à medida que novas informações sobre o conflito no Oriente Médio fossem “incorporadas às suas análises”.

Para o fim de 2026, os analistas mantém a previsão da Selic em 13% ao ano. Para 2027, a projeção também seguiu inalterada em 11% e, para 2028, em 10%. Já para 2029, o mercado reduziu sua previsão. A estimativa para a Selic recuou de 9,88% para 9,75% ao ano, registrando a primeira queda após um período de estabilidade.

‘Super quarta’ e sucessão no Fed

Além do anúncio feito pelo Banco Central, o Fed divulgou a manutenção da taxa de juros do país na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, menor nível desde setembro de 2022. Esta também foi a última decisão com Jerome Powell na presidência do Banco Central Americano. Após oito anos no comando e em meio a atritos com o presidente Donald Trump, Powell deixará o cargo em 15 de maio.

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Na manhã desta quarta-feira, Kevin Warsh foi aprovado pelo Comitê Bancário do Senado para assumir a presidência do Fed. Em sua última coletiva de imprensa, Powell parabenizou o indicado e disse que pretende permanecer como membro do Conselho de Governadores do Fed por um período ainda indefinido.

As incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio e, consequentemente, a disparada do preço do barril de petróleo seguiram como pontos decisivos para a manutenção da taxa de juros. A principal preocupação norte-americana é o impacto na inflação do país: “está elevada, refletindo, em parte, o recente aumento nos preços globais de energia”, afirmou o comunicado do Fomc (Federal Open Market Committee ou Comitê Federal de Mercado Aberto).

O Comitê ainda afirmou que “estará preparado para ajustar a postura da política monetária conforme apropriado”, levando “em consideração uma ampla gama de informações, incluindo dados sobre as condições do mercado de trabalho, pressões inflacionárias e expectativas de inflação, bem como desenvolvimentos financeiros e internacionais”.

Fonte

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