Desembargador é condenado a pagar R$ 53 mil por ofender guarda municipal

O juiz Renato Santiago Garcez determinou o pagamento de R$ 53 mil em danos morais por desembargador que ofendeu guarda municipal em Santos durante a pandemia.

Entenda a condenação por danos morais

O juiz de Direito Renato Santiago Garcez, da 10ª Vara Cível de Santos/SP, determinou que o desembargador Eduardo Almeida Prado Rocha de Siqueira efetue o pagamento de R$ 53 mil, a título de danos morais, ao guarda municipal Cícero Hilario Roza Neto. A decisão foi proferida em sede de cumprimento de sentença, consolidando a condenação por ofensas proferidas durante uma abordagem de fiscalização sanitária em 2020.

O contexto da controvérsia e o abuso de autoridade

O caso teve origem em 18 de julho de 2020, quando o guarda municipal realizava a fiscalização do uso de máscaras na orla de Santos. Ao ser abordado para cumprir o decreto municipal, o desembargador recusou-se a acatar a norma, proferindo ofensas como “analfabeto” e “guardinha”, além de exibir sua carteira funcional em tom de ameaça. O magistrado ainda rasgou o auto de infração e, posteriormente, referiu-se ao servidor como “um negro arrogante” em entrevista.

Fundamentação jurídica e rejeição da defesa

A defesa do desembargador alegou que a reação foi motivada pela suposta inconstitucionalidade do decreto municipal e por um quadro de descompensação psiquiátrica. Contudo, o juiz José Alonso Beltrame Júnior, ao julgar o mérito em 2021, rejeitou tais argumentos. Para o magistrado, a conduta foi desrespeitosa, ofensiva e desproporcional, sendo que a eventual discordância com a norma não autoriza o desrespeito à dignidade do agente público no exercício de suas funções.

Impactos práticos para a advocacia

  • Responsabilidade Civil do Agente Público: O caso reforça que a prerrogativa do cargo não exime o magistrado de responder civilmente por atos que excedam os limites da urbanidade e da legalidade.
  • Danos Morais e Ofensas Raciais: A decisão destaca a importância da reparação integral em casos onde a honra subjetiva é atingida por ofensas discriminatórias.
  • Precedentes sobre Abuso de Autoridade: O episódio, que também resultou em aposentadoria compulsória pelo CNJ, serve como paradigma para teses que buscam a responsabilização de autoridades por condutas incompatíveis com o decoro.
  • Execução de Sentença: O prazo de 15 dias para o pagamento, determinado em fase de cumprimento, demonstra a celeridade na execução de verbas indenizatórias após o trânsito em julgado.


Fonte de Referência: Consulte a publicação original

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