Estudante de Direito é condenado por fingir ser advogado em MS

O juiz Marcus Abreu de Magalhães, da 12ª Vara Cível de Campo Grande/MS, condenou um estudante de Direito que se passou por advogado a indenizar uma idosa por danos morais e materiais.

Em uma decisão emblemática sobre a ética profissional e o exercício ilegal da profissão, o juiz de Direito Marcus Abreu de Magalhães, da 12ª Vara Cível de Campo Grande/MS, condenou um estudante de Direito a restituir valores e pagar indenização por danos morais a uma idosa. O réu utilizou-se de artifícios para simular a condição de advogado e induzir a vítima a erro.

Contexto da controvérsia e o golpe da dívida inexistente

A controvérsia teve início quando a idosa foi contatada por um suposto representante da Agência Municipal de Habitação de Campo Grande/MS, sendo informada sobre uma dívida fictícia de R$ 23 mil referente a um terreno. Buscando solucionar o problema, a vítima contratou o estudante, que se apresentou como advogado, utilizando inclusive uma carteira de estagiário da OAB/MS para conferir credibilidade ao engodo.

A idosa desembolsou R$ 5,5 mil, sendo R$ 3 mil a título de honorários e R$ 2,5 mil para uma suposta entrada de parcelamento. Após a ausência de retorno e a descoberta de que o débito não existia, a vítima acionou o Poder Judiciário, pleiteando a reparação pelos danos sofridos.

Fundamentação da decisão judicial

Ao analisar o caso, o magistrado destacou que a conduta do réu ultrapassou o mero inadimplemento contratual, configurando ato ilícito. O juiz pontuou que a utilização de documentos de estágio para simular a advocacia e a criação de um cenário de medo em relação a um órgão público violaram a boa-fé objetiva e a dignidade da consumidora.

A gravidade da conduta foi acentuada pela vulnerabilidade da idosa e pelo uso indevido de prerrogativas profissionais, atingindo diretamente a tranquilidade e a segurança da vítima.

A sentença determinou a restituição de R$ 2,5 mil por danos materiais e o pagamento de R$ 8 mil a título de danos morais, reconhecendo o abalo psicológico causado pela fraude.

Impactos práticos para a advocacia e o mercado jurídico

  • Reforço da fiscalização: A decisão alerta para a importância da conferência rigorosa dos dados profissionais pelos clientes, reforçando o papel da OAB na fiscalização do exercício ilegal.
  • Responsabilidade Civil: O caso reafirma que a simulação de qualidade profissional para obtenção de vantagem financeira enseja reparação civil robusta, além das implicações penais.
  • Segurança Jurídica: Advogados devem manter seus dados atualizados no Cadastro Nacional de Advogados (CNA), facilitando a verificação por parte dos cidadãos e evitando a confusão com estagiários ou falsos profissionais.
  • Danos Morais: O magistrado consolidou o entendimento de que a exploração da vulnerabilidade de idosos em fraudes contratuais justifica uma indenização que vai além do prejuízo financeiro direto.


Fonte de Referência: Consulte a publicação original

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