Filtro de Relevância no STJ: O que muda para a advocacia

A entrada em vigor do filtro de relevância no Superior Tribunal de Justiça marca uma mudança estrutural na Corte. Saiba como isso altera a atuação dos advogados.

A partir desta quinta-feira (3), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) inicia uma nova era em sua história processual com a implementação efetiva do filtro de relevância. A medida, que foi uma das principais bandeiras da gestão do ministro Luis Felipe Salomão, visa transformar o tribunal em uma Corte voltada primordialmente à uniformização da legislação federal e à formação de precedentes qualificados.

A Nova Lógica de Funcionamento do STJ

A implementação do filtro de relevância altera profundamente a dinâmica de acesso ao tribunal. Historicamente sobrecarregado pela revisão de milhares de conflitos de natureza estritamente individual, o STJ busca agora se desvencilhar do papel de terceira instância revisora para atuar como um tribunal de teses. A expectativa é que, ao filtrar as demandas, os ministros possam dedicar maior tempo e profundidade às questões que realmente impactam o ordenamento jurídico nacional.

O Desafio da Jurisprudência e a Previsibilidade

O grande desafio que se impõe agora é a construção dos critérios que definirão o que é, de fato, relevante. A jurisprudência será construída caso a caso, e o setor jurídico aguarda com expectativa que esses parâmetros sejam claros e previsíveis. O risco, apontado por especialistas, é que o filtro se torne uma barreira intransponível de acesso à justiça, em vez de um instrumento de eficiência processual.

Impactos Práticos para a Advocacia

Para os advogados e escritórios de advocacia, a mudança exige uma readequação estratégica imediata. Confira os principais pontos de atenção:

  • Demonstração de Relevância: Não bastará mais alegar a violação de lei federal. O recorrente deverá demonstrar, de forma fundamentada, que a controvérsia transcende os interesses subjetivos das partes.
  • Valorização das Instâncias Ordinárias: Com o acesso ao STJ mais restrito, as decisões proferidas pelos Tribunais de Justiça (TJs) e Tribunais Regionais Federais (TRFs) ganham um peso decisivo, tornando a atuação na segunda instância ainda mais estratégica.
  • Mudança na Estratégia Recursal: A petição de interposição de recursos precisará ser mais técnica, focada na relevância social, econômica, política ou jurídica da questão debatida, sob pena de inadmissão liminar.

A gestão do ministro Luis Felipe Salomão enfrenta o desafio de equilibrar a necessidade de redução do acervo processual com a garantia de acesso à justiça. O sucesso do filtro de relevância dependerá da capacidade do tribunal em manter um diálogo transparente com a advocacia, garantindo que a eficiência não sacrifique a segurança jurídica.


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