PF adia depoimento de Daniel Vorcaro em investigação sobre o Banco Master

A Polícia Federal adiou o depoimento de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero. A defesa do empresário solicitou o adiamento alegando falta de acesso integral aos autos da investigação.

A Polícia Federal (PF) oficializou o adiamento do depoimento de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, que estava previsto para a última quinta-feira (24). O empresário é peça central nas investigações da Operação Compliance Zero, que apura a existência de núcleos de intimidação e fraudes estruturadas envolvendo a instituição financeira.

Contexto da investigação e a Operação Compliance Zero

As apurações apontam que Vorcaro teria coordenado dois grupos distintos para atividades ilícitas: o grupo denominado “A Turma”, focado em monitoramento e intimidação presencial, e o grupo “Os Meninos”, responsável por ataques cibernéticos e invasões telemáticas. A operação, iniciada em novembro de 2025 pela 10ª Vara Federal de Brasília, culminou na liquidação do Banco Master pelo Banco Central.

Trâmite processual e mudança de relatoria no STF

O caso, que teve desdobramentos significativos no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) em dezembro de 2025. Sob a relatoria inicial do ministro Dias Toffoli, a segunda fase da operação foi autorizada em janeiro de 2026. Em 12 de fevereiro, a relatoria foi transferida para o ministro André Mendonça. Atualmente, Vorcaro encontra-se detido na Superintendência da PF em Brasília e aguarda a análise de uma proposta de delação premiada.

Impactos práticos para a advocacia e o devido processo legal

  • Direito ao contraditório: O adiamento reforça a importância da garantia de acesso integral aos autos, pilar fundamental para o exercício da ampla defesa em investigações complexas.
  • Gestão de provas digitais: A estruturação da acusação em torno de núcleos digitais (ataques cibernéticos) exige que a defesa técnica esteja preparada para a análise de perícias telemáticas e dados de inteligência policial.
  • Estratégia de colaboração: A pendência de análise da delação premiada pelo STF coloca o processo em uma fase de expectativa jurídica, onde a estratégia de defesa deve equilibrar a cooperação com o Estado e a preservação das garantias individuais do investigado.
  • Complexidade jurisdicional: A transição do caso entre instâncias federais e o STF demonstra a necessidade de acompanhamento rigoroso das competências e das decisões monocráticas que impactam a liberdade dos investigados.


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