STJ avança em julgamento de ex-conselheiros do TCE-RJ por corrupção

A ministra Isabel Gallotti, do STJ, votou pela condenação de cinco ex-conselheiros do TCE-RJ envolvidos em um esquema de cobrança de propinas em contratos públicos.

STJ avança em julgamento de ex-conselheiros do TCE-RJ por corrupção

O Voto da Relatora no STJ

A ministra Isabel Gallotti, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proferiu voto pela condenação de cinco ex-conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). O processo, que apura crimes de organização criminosa e corrupção passiva, detalha um esquema estruturado de cobrança de vantagens indevidas em troca de facilidades na fiscalização de contratos públicos.

Os réus no processo são Aloysio Neves Guedes, Domingos Inácio Brazão, José Gomes Graciosa, José Maurício de Lima Nolasco e Marco Antônio Barbosa de Alencar. A ação é um desdobramento das operações Descontrole e Quinto do Ouro, que investigaram desvios em grandes obras e serviços no estado.

Penas Propostas e Perda de Cargos

A relatora propôs penas rigorosas em regime inicial fechado, refletindo a gravidade das condutas imputadas aos ex-gestores públicos. Além das penas privativas de liberdade, o voto prevê a perda de cargos e a cassação de aposentadorias.

  • Aloysio Neves Guedes: 55 anos e quatro meses de reclusão.
  • Domingos Brazão: 27 anos e seis meses de reclusão.
  • Graciosa, Nolasco e Alencar: 32 anos e oito meses de reclusão para cada.

A ministra também determinou o perdimento, em favor da União, dos valores e bens obtidos através das práticas ilícitas, visando o ressarcimento ao erário e a desarticulação do patrimônio construído com o crime.

Contexto das Investigações e Esquema de Propina

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), os acusados utilizavam suas posições no TCE-RJ para garantir que empresas interessadas em contratos públicos não sofressem fiscalizações rigorosas. O esquema teria operado em diversos setores estratégicos do Rio de Janeiro.

As investigações apontam o envolvimento dos conselheiros em irregularidades relacionadas a:

  • Obras do PAC Favelas e reforma do Maracanã para a Copa de 2014.
  • Construção da Linha 4 do Metrô.
  • Contratos com empresas de transporte vinculadas à Fetranspor.
  • Fornecimento de alimentação para a Seap e o Degase.

Status Atual do Julgamento

O julgamento no STJ foi interrompido após um pedido de vista antecipado do ministro Sebastião Reis Júnior. A análise do caso permanece suspensa, aguardando a retomada para que os demais ministros da Corte Especial possam proferir seus votos e definir o desfecho da ação penal.

Este caso reforça a importância da atuação dos tribunais superiores no combate à corrupção sistêmica em órgãos de controle, destacando a necessidade de rigor na aplicação da lei para agentes públicos que violam o dever de probidade administrativa.


Fonte: Aceder à Notícia Original

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