Delação na Operação Compliance Zero mira Banco Master e Reag

João Carlos Mansur, ex-presidente da Reag Investimentos, firma acordo de delação premiada na Operação Compliance Zero, detalhando esquema de propinas de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

A Operação Compliance Zero ganha um novo capítulo com a delação premiada de João Carlos Mansur, fundador e ex-presidente da Reag Investimentos. O colaborador firmou acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR) para detalhar um suposto esquema de pagamentos ilícitos envolvendo o Banco Master, sob a gestão de Daniel Vorcaro.

O Acordo de Colaboração e a Estrutura do Esquema

O acordo, que prevê o pagamento de uma multa de R$ 40 milhões por parte de Mansur, foi submetido à homologação do ministro André Mendonça, relator das investigações no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o colaborador, fundos de investimento administrados pela Reag teriam sido utilizados como veículos para ocultar o fluxo financeiro de propinas destinadas a autoridades públicas.

A delação aponta que o esquema utilizava estruturas offshore no exterior para blindar o patrimônio e dificultar o rastreamento. A expectativa da PGR é que as informações fornecidas permitam a repatriação célere de ativos, contornando trâmites burocráticos de cooperação internacional.

Investigações e Movimentações Atípicas

As apurações ganharam força após um levantamento do Banco Central identificar movimentações atípicas entre o Banco Master e fundos da Reag Trust, ocorridas entre julho de 2023 e julho de 2024. O relato de Mansur corrobora as suspeitas de que a estrutura da gestora era instrumentalizada para drenar recursos da instituição bancária em benefício próprio de Vorcaro ou para o pagamento de compromissos escusos.

Impactos Práticos para a Advocacia e Compliance

  • Gestão de Risco e Due Diligence: O caso reforça a necessidade de auditorias rigorosas em operações estruturadas envolvendo fundos de investimento e instituições financeiras.
  • Recuperação de Ativos: A celeridade na repatriação de valores via colaboração premiada pode se tornar um precedente para casos de corrupção transnacional.
  • Responsabilidade de Interpostos: A identificação de laranjas e intermediários na delação sinaliza uma atuação mais incisiva do Ministério Público na desarticulação de camadas de ocultação patrimonial.
  • Compliance Bancário: Instituições financeiras devem revisar seus protocolos de monitoramento de transações com partes relacionadas, especialmente diante do escrutínio do Banco Central e da PGR.

A colaboração de Mansur é a primeira no âmbito da Operação Compliance Zero, marcando um ponto de inflexão nas investigações sobre crimes financeiros e corrupção envolvendo o Banco Master.


Fonte de Referência: Consulte a publicação original

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