TSE: Ministro André Mendonça relatará ação contra reajuste do Bolsa Família

O ministro André Mendonça, do TSE, foi sorteado para relatar a representação movida pelo candidato Renan Santos contra o reajuste de 15% no Bolsa Família, sob alegação de conduta eleitoreira.

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi sorteado para relatar a representação ajuizada pelo candidato à Presidência da República, Renan Santos, que questiona a legalidade do reajuste de 15% concedido ao programa Bolsa Família. A medida, anunciada pelo governo federal, eleva o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691.

Contexto da controvérsia e alegações do autor

Na peça processual, o autor classifica a iniciativa como ilegal, inconstitucional e eleitoreira. O argumento central sustenta que o governo federal, ciente da perda do poder aquisitivo dos beneficiários devido à inflação acumulada desde março de 2024, teria postergado o reajuste para a reta final do período eleitoral, visando influenciar o pleito.

Além da questão temporal, a ação aponta a ausência de previsão orçamentária. Segundo o autor, o reajuste não constava no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) entregue ao Congresso Nacional em 31 de agosto, carecendo de definição sobre a origem dos R$ 5,8 bilhões necessários para a implementação imediata em 2026.

Precedentes e a questão da legitimidade ativa

Vale ressaltar que o ministro André Mendonça já havia se manifestado recentemente sobre o mesmo tema. Em ação anterior protocolada pelo deputado Zé Trovão (PL-SC), o magistrado indeferiu o pedido sem adentrar ao mérito. Naquela ocasião, o relator fundamentou sua decisão na ausência de legitimidade ativa do autor, por entender que o parlamentar, ao concorrer a cargo estadual, não possuía capacidade postulatória para questionar a medida nesta instância eleitoral.

Impactos práticos para a advocacia e o cenário eleitoral

  • Análise de Legitimidade: Advogados devem atentar para a jurisprudência do TSE quanto à legitimidade ativa em representações eleitorais, evitando o indeferimento liminar por ilegitimidade da parte.
  • Direito Eleitoral e Orçamento: A discussão sobre o uso de programas sociais em período eleitoral exige a demonstração de desequilíbrio no pleito e a violação de normas orçamentárias, como a Lei de Responsabilidade Fiscal.
  • Estratégia Processual: A judicialização de atos administrativos de cunho social demanda robustez probatória quanto ao nexo causal entre o benefício e o suposto propósito eleitoreiro, superando a presunção de legalidade dos atos do Poder Executivo.


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