A reforma tributária brasileira, com a implementação da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), trouxe um cenário de incertezas para o mercado voluntário de créditos de carbono. O ponto central do debate reside na indefinição sobre a natureza jurídica desses ativos, o que pode resultar em alíquotas que variam de 0% a 28%, gerando impactos diretos no custo e na viabilidade dessas operações ambientais.
O Impacto da Reforma Tributária nos Créditos de Carbono
Com a transição para o modelo do IVA dual, a classificação fiscal dos créditos de carbono tornou-se um desafio para empresas e investidores. Se o ativo for tratado como uma mercadoria ou prestação de serviço, ele estará sujeito à incidência cheia dos novos tributos. Caso seja enquadrado de forma diversa, ou receba tratamento específico em regulamentação infralegal, o cenário muda drasticamente.
A Variação de Alíquotas: Por que 0% a 28%?
A amplitude da variação tributária ocorre porque, sem uma definição clara na legislação, as operações podem ser interpretadas de formas distintas pelo Fisco. Os principais riscos incluem:
- Alíquota Zero: Aplicável caso o setor obtenha isenções ou reduções específicas voltadas ao fomento da economia verde e preservação ambiental.
- Alíquotas cheias (até 28%): Cenário em que os créditos são equiparados a bens comuns, sofrendo a carga total da CBS e IBS, o que pode reduzir a atratividade do mercado brasileiro frente a competidores internacionais.
Desafios para o Mercado Voluntário
O mercado voluntário de carbono depende de segurança jurídica para atrair investimentos de longo prazo. A indefinição sobre a tributação cria um passivo contingente para empresas que transacionam esses ativos. Sem uma diretriz clara, os contribuintes ficam expostos a autuações fiscais baseadas em interpretações subjetivas da autoridade tributária sobre a natureza do crédito.
O que esperar da regulamentação?
Para mitigar os riscos e incentivar o cumprimento das metas climáticas, o mercado aguarda que as normas infralegais da reforma tributária tragam maior precisão sobre a taxação. A definição sobre a cumulatividade e a possibilidade de aproveitamento de créditos fiscais serão decisivas para determinar se o Brasil manterá sua competitividade global na transição para uma economia de baixo carbono.
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