Transparência regulatória: como a insegurança nas agências impacta o investimento no Brasil

Um estudo recente do IASP alerta que a falta de uniformidade nas decisões das agências reguladoras compromete a segurança jurídica e afasta investidores.

A transparência regulatória é um pilar fundamental para garantir a estabilidade econômica e a atração de investimentos no Brasil. Recentemente, um estudo apresentado pelo Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP) ao Tribunal de Contas da União (TCU) evidenciou que a dispersão de decisões proferidas pelas agências reguladoras tem gerado um cenário de incerteza jurídica que preocupa o mercado e os investidores.

O impacto da insegurança jurídica no ambiente regulatório

A falta de padronização nas decisões regulatórias cria um ambiente imprevisível. Quando as agências adotam entendimentos distintos ou mutáveis sobre questões semelhantes, o investidor perde a capacidade de calcular riscos e projetar retornos a longo prazo. Esse cenário de insegurança jurídica atua como um desestímulo direto ao desenvolvimento de setores estratégicos, como infraestrutura e energia.

Principais consequências da falta de transparência

A pesquisa do IASP aponta que a fragmentação decisória traz desafios práticos significativos para quem opera no mercado brasileiro. Entre os principais pontos negativos, destacam-se:

  • Dificuldade no planejamento estratégico de empresas e concessionárias.
  • Aumento do volume de litígios judiciais para resolver conflitos regulatórios.
  • Elevação do chamado “custo Brasil”, dificultando a competitividade nacional.
  • Retração de investimentos estrangeiros que dependem de marcos regulatórios claros.

O papel do TCU na fiscalização das agências

O estudo submetido ao TCU reforça a necessidade de um controle mais rigoroso sobre a consistência dos atos administrativos das agências. O objetivo é que o tribunal atue como um indutor de boas práticas, incentivando que os órgãos reguladores busquem maior coesão em suas decisões, respeitando os princípios da publicidade e da previsibilidade. A transparência regulatória deve ser, portanto, encarada como uma diretriz permanente da governança pública.

Caminhos para a melhoria do cenário regulatório

Para mitigar os riscos identificados pelo IASP, especialistas defendem a implementação de medidas que fortaleçam a segurança jurídica. Algumas soluções propostas incluem:

  • Adoção de precedentes administrativos que sirvam de base para decisões futuras.
  • Ampliação da participação pública em consultas antes da edição de normas.
  • Maior integração entre as diversas agências reguladoras para evitar conflitos de competência.
  • Melhoria nos critérios de fundamentação das decisões para garantir previsibilidade ao mercado.


Fonte: Aceder à Notícia Original

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